Doce
inferno
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Minha
avó foi uma doceira de mão cheia. Arrumava a mesa de bolos,
gelatinas e brigadeiros que ela própria fazia. Meu avô e eu
ficávamos horas comendo as guloseimas, enquanto ela ficava a
observar satisfeita. Preferia comer sozinha, para olhar o neto e o
marido.
Todo
final de semana ia visitá-los. Era muito bom. Mas, com o tempo,
descobri que atrás de tanta doçura há o amargo. Meus avós, no
final de suas vidas, ficaram com graves problemas de saúde.
O
tempo passou. Fiquei diabético, obeso e com problema de coração.
Comer, dava-me prazer imediato e era isso que almejava sempre.
Morri
e tive que ir ao inferno. Mas não fui para o lugar dantesco, que
todos dizem. Voltei à casa dos meus avós. Eles estavam me
esperando. Voltei
ao meu doce inferno.
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural
e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
Como sempre cheio de imaginação e criatividade surpreendente.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluir