Mulheres
de verdade?
* Por
Clóvis Campêlo
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Vejo
no jornal que Amélia, a mulher de verdade cantada por Ataulfo Alves
e Mário Lago, existiu mesmo. Chamava-se Amélia dos Santos Ferreira,
morou em Realengo, no Rio de Janeiro, e morreu aos 91 anos, deixando
dez filhos, muitos netos e bisnetos.
A
notícia foi dada na coluna de Ancelmo Gois. Não sei se houve choros
e velas no seu enterro, mas, com certeza, deixou o seu nome
definitivamente gravado na história da MPB. Alô, alô, Realengo,
aquele abraço.
Além
de Amélia, Realengo também comportou o quartel onde Gilberto Gil
ficou preso, nos anos 60, durante o regime militar, antes de ser
deportado e exilado. Também aí, surgiu outra grande contribuição
à música popular brasileira, no samba reconhecidamente de
desenredo. O Rio de Janeiro, porém, era e continua lindo.
No
jornal, também, no contexto das matérias publicadas sobre os 70
anos do início da II Guerra Mundial, tomo conhecimento da existência
de Aninha dos Torpedos. Mulher bonita e sedutora, vagava pelos portos
das capitais nordestinas, principalmente Recife e Salvador, atraindo
marinheiros brasileiros e americanos que pudessem lhe fornecer
informações sobre as rotas dos nossos navios mercantes.
Segundo
o jornalista Wagner Sarmento, do Jornal do Commercio do Recife, para
cada marinheiro seduzido por Aninha correspondia sempre o
torpedeamento de algum navio. Aninha passou a ser considerada como
uma espiã nazista infiltrada na província, dilacerando corações e
as carcaças dos navios. Muito mais um mito, porém, do que uma
realidade, a sua existência nunca foi efetivamente comprovada.
Essas
mulheres, de verdade ou não, sacudiram a minha imaginação nesse
final de semana ensolarado.
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Poeta, jornalista e radialista
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