Uma
despedida
* Por
Algernon Charles Swinburne
Vamos,
canções, ela não ouviria
Sigamos
sem temor por nossa via.
Silêncio,
o tempo de cantar passou,
Passou
já tudo o que se quis um dia.
Ela
não quer o amor que nos marcou.
Fôssemos
a voz de um anjo em melodia
E
ela não ouviria.
Vamos
partir. Ela não saberia.
Vamos
ao mar, como é da ventania,
Soprando
areia, espuma, que fazer?
Nada
a fazer, que a vida é mesmo fria,
E
o mundo é lágrimas e é padecer.
Mostrássemos
a dor que em nós havia
E
ela não saberia.
Para
casa! Ela não sofreria.
Demos
de amor, sonhos demais, e dias
E
flores mortas, frutos condenados,
Dizendo:”Ceifa,
como `a fantasia”
E
nada resta: foi tudo ceifado.
Visse
em nós, que plantamos, a agonia,
E
ela não sofreria.
Ao
descanso! Ela não nos amaria
Nem
vai ouvir a nossa litania
Nem
ver que amar caminha em dor, no mundo.
Vamos
daqui, cessemos a porfia.
O
amor é mar amargo, hostil, profundo;
Pudesse
o céu dar flores- sim, daria,
E
ela não amaria.
Desistamos!
Ela nem cuidaria.
Dourasse
a estrela os mares que alumia,
Dourasse
o mar a vaga que estremece
E
a flor da lua a flor da espuma espia,
E
as ondas todas sobre nós trouxesse,
Lábios
cerrasse, a mão deixasse fria,
E
ela nem cuidaria
Vamos
canções, ela não nos veria.
Uma
vez mais, cantemos, todavia.
Talvez
ela relembre o que dissemos
E
queira ainda ouvir nossa elegia,
Mas
nós, nós já partimos. Nem viemos!
Quem
vê sabe da dor que me agonia,
Mas
ela não veria.
Tradução:
Jorge Wanderley
*
Poeta,
dramaturgo, romancista e crítico inglês.
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