Talento e empenho
O
talento, ou seja, aquela aptidão especial que algumas pessoas têm
para determinadas artes, ou tarefas, ou para certos tipos de
trabalho, é algo inato ou pode vir a ser desenvolvido com o tempo,
com aplicação, disciplina e genuíno interesse? Essa é uma
discussão que se arrasta por séculos, sem que ninguém chegue a uma
conclusão incontestável.
Minha
opinião de leigo, mas de alguém dotado de alguma experiência,
pelos tantos anos já vividos, é que as duas correntes têm lá a
sua dose de razão. Há pessoas que já nascem talentosas – ou para
a música, ou para a pintura, ou para a literatura – e manifestam,
inclusive, essa vocação de maneira precoce. Amadeus Wolfgang
Mozart, por exemplo, aos quatro anos de idade já compunha peças
musicais de fazer inveja a compositores sessentões.
Todavia,
apenas essa aptidão natural não basta para fazer de quem quer que
seja um artista consagrado, um cientista criativo ou um trabalhador
altamente produtivo. Requer-se estudo, treinamento, disciplina,
constância, capacidade de observação e, sobretudo, amor, muito
amor por aquilo que se faz. Sem isso, em questão de dias, qualquer
talento em potencial desaparece e resulta em coisa nenhuma.
No
outro extremo tomemos alguém que não conte com vocação especial
para coisíssima alguma. Todavia, se essa pessoa se interessar por
determinada atividade, se procurar aprender tudo o que diga respeito
a ela, se for observadora, disciplinada, determinada e praticá-la
exaustivamente, sempre buscando performance melhor, em determinado
ponto de suas tentativas (caso não desanime antes, claro) haverá de
compor magnífica sinfonia (se sua paixão for a música), pintar uma
tela de fazer inveja a Vermeer (se for pintura), esculpir uma estátua
que rivalize com o David de Michelângelo, escrever um poema que não
fique nada a dever a Victor Hugo e assim por diante.
Caso
seu interesse seja pela ciência, desvendará mistérios tidos como
insondáveis a exemplo de Copérnico, descobrirá como curar doenças
consideradas incuráveis como fez Louis Pasteur, criará vacinas que
erradicarão terríveis moléstias da face da Terra como Albert
Sabin, formulará princípios que expliquem o macro e o micro
universo tal qual a Teoria da Relatividade de Albert Einstein e assim
por diante. Mas a condição sine qua non para que isso aconteça é
que ame, ame louca e profundamente, sem a mínima restrição, a
atividade a que dedicará sua vida.
Talento
é ponto de partida e não reta de chegada das grandes realizações.
O Mestre dos Mestres deixou isso claro, claríssimo na inigualável
parábola a respeito que nos legou. Quem enterrar suas aptidões, por
medo de fracasso, as perderá inexoravelmente. Nenhuma obra que
realmente valha a pena nasce espontaneamente, e já prontinha, na
cabeça de quem quer que seja, por mais talentosa que essa pessoa
possa ser. É sempre fruto de trabalho, de muito trabalho, além de
disciplina, inteligência, vontade e infinito amor. Em contrapartida,
os que buscarem desenvolver aptidões com dedicação e método e
contarem com as características que citei, haverão de adquirir
outras tantas, com as quais sequer atinavam. É pura questão de
lógica.
Raros
são os que não conhecem algum indivíduo tido e havido como
extremamente talentoso, mas que fracassou fragorosamente na vida,
dada sua indolência e falta de amor ao trabalho. Há muita gente
assim mundo afora: fracassada, ressentida, despeitada, viciada até,
lançando, invariavelmente, a culpa de seus fracassos nos outros,
quando estes resultaram, exclusivamente, da sua arrogância e,
principalmente, da sua inércia.
O
escritor Máximo Gorky deixou isso bastante claro em sua “Carta aos
jovens escritores”, ao constatar, do alto da sua vasta experiência:
“O talento desenvolve-se no amor que pomos no que fazemos. Talvez
até a essência da arte seja o amor pelo que se faz, o amor pelo
próprio trabalho”.
Muitos,
certamente, irão discordar das minhas colocações e é bom que
assim aconteça. Mas discordem com argumentos, sólidos e
inquestionáveis, contudo jamais com impropérios e ataques pessoais,
modo de ação dos medíocres e dogmáticos. Toda discussão em alto
nível traz algum tipo de esclarecimento, mesmo que não se trate do
definitivo.
O
principal conselho que posso oferecer aos aspirantes a escritores
(atividade pela qual sou apaixonado e que polariza toda a minha
atenção na maior parte do meu tempo), mas que vale para quem aspire
o sucesso em outras artes (ou em ciência) é que ame sem restrições
o que faz. Se não lhe for possível dedicar esse amor irrestrito,
escolha, pois, alguma coisa de que realmente venha a gostar de fazer.
E esqueça essa história de talento.
Leia,
pesquise, observe, pratique, exponha, aceite críticas pertinentes,
ignore as impertinentes e siga em frente. Estou certo de que lerei,
um dia, seus livros, com empatia e satisfação, todos alçados à
condição de best-sellers. Você será um vencedor! Por isso,
reitero: Siga sempre em frente, sem vacilar!
Boa
leitura!
O
Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
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