Estilhaço
* Por
Francisco Simões
Meu
mundo está encolhendo.
O
horizonte já não está
Tão
distante quanto antes.
Meu
telhado de nuvens está
Baixo
e continua descendo.
Que
o tempo não me remende,
Que
a vida não me tenha intruso
Enquanto
sigo em desuso
Com
a validade vencida,
Um
andejo vacilante
Na
orla de sobrevida.
Minha
alma calada entende
E
espera impalpável no etéreo
Na
düidade da existência.
Quantas
desculpas esqueci
De
pedir por arrependimentos,
Por
pesares, por negligências,
Quantas
súplicas guardei
No
silêncio de um momento
Em
que eu me arrependi!
Quantos
sonhos nunca acordaram.
Nas
asas do tempo partiram
Tantas
vozes e braços amigos,
Fiéis
abrigos que hospedaram
Minhas
carências, fraquezas
E
incertezas que a desoras
Moldaram
este engaço de agora,
Este
estilhaço prévio de vida
Que
nem na estação mais florida
Festejou a primavera.
*
Jornalista,
poeta e escritor.
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