Em
Woodwards Gardens
* Por
Robert Frost
Por
mera conjetura, um menino acercou-se
certa
vez de uma jaula e expôs a dois macacos
uma
lente de aumento – objeto que macacos
não
podem compreender, nem podem ser levados
a
compreender, por mais que se empreguem palavras
ou
que se diga que tais lentes são capazes
de
concentrar num ponto as radiações do sol.
Mas,
para lhes mostrar a arma em funcionamento,
ele
fez um pontinho em cima do nariz
do
primeiro macaco e, após, do outro, gerando
uma
névoa de espanto em seus olhos perplexos,
que
piscadela alguma alcançou dissipar.
De
braços dados junto às grades, os macacos,
com
grande confusão, olhavam para a vida.
Um
levou ao nariz uma mão pensativa,
como
se recordasse – ou como se estivesse
parado
a alguns milhões de anos de alguma idéia.
Atingiram-se
os nós de seus rosados dedos.
O
já sabido foi outra vez confirmado
por
meio dessa experiência psicológica.
E
então a descoberta acabaria nisso,
não
houvesse o menino, em suas conjeturas,
se
demorado tanto e aproximado tanto.
Como
um relâmpago de braço, houve um puxão,
e
agora era do símio o que foi do menino.
Correram,
num tropel, para o fundo da cela
e
deram logo início a uma investigação
por
conta própria e sem a intuição necessária.
Perscrutaram
o gosto, a mordiscar a lente;
destroçaram
o cabo e a argola que o prendia.
E,
não mais sábios, desistiram em seguida.
E
eis que, ocultando-a sob a palha onde dormiam,
na
ampla modorra de outro dia de prisão,
voltaram
novamente às grades, com secura,
a
si mesmos dizendo: E quem disse que importa
o
que os macacos compreendem, e o que não?
Podem
não compreender o vidro que incendeia.
Podem
não compreender a luz do próprio sol.
Saber
o que fazer das coisas é que conta.
(Tradução
de Renato Suttana).
*
Um dos mais importantes poetas dos Estados Unidos no século XIX.
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