Sem
pizza? Nem pensar!
* Por
Marcelo Sguassábia
Existe
pouquíssima coisa melhor que pizza, embora ninguém possa garantir
que essas pouquíssimas coisas sejam, de fato, melhores que ela. Mas,
se existirem mesmo, seriam tão poucas que caberiam no espaço de
meia pizza brotinho. Com folga.
Não
havendo pizza, no mínimo três quartos dos motoqueiros também não
existiriam ou estariam fazendo outra coisa na vida, pois não teriam
o que entregar.
Esse
nosso mundinho, que já não é lá o melhor lugar da via láctea
pra se viver, ficaria insuportável. Até o universo corporativo
seria afetado. Os gráficos-pizza do powepoint precisariam se chamar
gráficos-queijo, gráficos-torta ou coisa parecida. As esticadas de
expediente, madrugada adentro, nas agências de propaganda e
redações de jornal, resultariam compreensivelmente improdutivas
sem a consoladora perspectiva da uma redonda crocante, de
preferência com borda de catupiry ou cheddar, para tirar o estômago
das costas e saudar o sol nascente.
A
vida noturna de Sampa seria no mínimo um terço menor, ou três
fatias, supondo como analogia uma pizza de dez pedaços.
Estatísticas do ano de 2013 dão conta de um total de 15.000
restaurantes e 4.500 pizzarias na capital paulista. Vai gostar de
pizza assim lá na Itália, ô meu…
Pizzas
coroam as grandes conquistas, arrematam com perfeição os momentos
mais esperados, são o ápice da satisfação humana. Exagero? De
jeito nenhum. O camarada se mata de estudar para ser um bom aluno e
entrar numa faculdade bacana. Faz a faculdade bacana para buscar um
bom emprego. Consegue, com o bom emprego, a realização na forma de
um carro moderninho, de uma parceira interessante, de uma casa com
projeto de arquiteto. Dentro da casa, o quarto. No quarto, a cama. E
depois daquela coisa boa que se faz na cama, o que vem na sequência?
Pizza. Para repor as energias e cogitar uma segunda rodada. Não
necessariamente de pizza.
Mas,
se tivesse mesmo que inexistir a partir de amanhã, que eu tenha a
chance de guardar hoje uma última fatia na geladeira para
degustá-la fria e com a mussarela plastificada, regada a um
generoso fio de azeite. Ô, tentação deliciosa. Até abaixo de
zero a redonda não tem rival.
É
preciso reconhecer que nem tudo, entretanto, estaria perdido num
mundo desgraçadamente desprovido dessa maravilha. As maracutaias de
Brasília, por exemplo, não mais acabariam nela. O que seria
espetacular.
*
Marcelo
Sguassábia é redator publicitário. Blogs:
WWW.consoantesreticentes.blogspot.com (Crônicas e Contos) e
WWW.letraeme.blogspot.com (portfólio).
Espetacular é o seu humor, a sua graça, a sua pizza!
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