Noites
de São João
* Por
Conceição Pazzola
São
João sempre traz lembranças felizes. De quando, por exemplo,
passava praticamente o dia inteiro fazendo comida de milho e
anoitecia sem que houvesse terminado.
Hora
de acender a fogueira; o marido e as crianças, de roupas trocadas e
banhos tomados iam para a rua onde acendiam a fogueira armada à
frente de casa, esperando a hora de assar o milho e soltar fogos,
enquanto eu continuava minha labuta na cozinha, toda lambuzada por
conta da raspagem do coco, do milho descascado e moído, do
liquidificador mil vezes lavado e mil vezes usado, das palhas
reservadas para as pamonhas devidamente costuradas na máquina
(porque nunca aprendi a envelopar o creme de milho depois de pronto)
e fervidas. A panela com a canjica no fogo era mexida ouvindo os
gritos e as conversas do lado de fora, a fumaça se espalhando e o
barulho dos fogos enchendo os ares.
Quando
a canjica estava nos pratos coberta de canela em pó e as pamonhas
prontas, o pé de moleque desenformado, tudo pronto para ser
consumido por volta de nove horas da noite podia pensar em cuidar de
mim. A criançada já havia entrado e saído mil vezes para
convidar-me a participar da fogueira e do milho assado. Uma noite
inesquecível. De banho tomado e roupa trocada, chamava-os para
finalmente servir o jantar junino. Desnecessário é dizer que isso
nem era preciso porque eles já haviam invadido a cozinha, descoberto
a panela onde fora feita a canjica e raspado o que sobrara.
Hoje sou adepta do lema “Desgruda a mulher da cozinha!”
Hoje sou adepta do lema “Desgruda a mulher da cozinha!”
*
Poetisa.
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