Dever
cumprido
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Aniversário
do meu filho, preciso organizar os preparativos... Mamãe está com
uma dor no peito, preciso levá-la ao médico... Espera, o diretor
diz que preciso gritar ainda mais. Também, preciso levar Belinha ao
veterinário para castrá-la, do contrário pode ter câncer.
Como?
O diretor me diz para abrir mais as pernas e gritar palavrões. Como
estará Rose com o filho doente? Ligarei para ver se precisa de
alguma coisa, sei lá, que eu compre aqueles remédios caríssimos.
Rose é uma empregada ótima e quase da família.
Agora,
o diretor quer que fique por cima... Cada vez mais me decepciono com
os políticos, só querem roubar a gente, se pudesse, os faria
desaparecer. O diretor pede para ficar de quatro e gritar mais alto
e, o pior, que estou rouca, descobri que tenho calos na garganta.
Não
posso me esquecer, preciso dar uma revisada nos meus poemas, quero
lançar meu primeiro livro ainda este ano. Que lindo, Carlão tatuou
nos braços a foto dos pais, ele sempre foi um filho amoroso. Quem o
vê me possuindo com força, nunca acreditará como é uma boa alma.
Uma vez, defendeu-me de um namorado violento. Que pena que seja tão
bem casado com Marinalda, inclusive, tem uma tatuagem dela no peito
e, nas costas, a dos filhos.
O
diretor me manda fazer outra posição, ainda bem! Estou com câimbra!
Hoje, quando saí de casa, vi um arco-íris lindo, tirei até foto.
Adoro ver tudo que é belo e me emociono, mas, não posso chorar,
tenho que lamber os lábios, revirar os olhos e gemer.
Terminando por aqui, vou para casa e tomarei um longo banho. Verei um filme com meu filho.
Cena final, o diretor me pede para fazer cara insana e gritar bem alto.
Enfim,
mais um dia de trabalho cumprido...
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural
e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
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