Poema
floral
* Por Pedro J. Bondaczuk
Buscava
o lírio, de brancura evanescente,
---
ensimesmado, a caminhar por uma estrada,
ao
amanhecer, de um dia ainda recente –
que
simbolizasse o meu amor, doce amada.
Samambaias
enormes, saudáveis, viçosas
havia
em profusão ali, onde eu passava.
Não,
não queria essas samambaias formosas:
era
o alvíssimo lírio que eu procurava.
Violetas,
petúnias, nardos e jasmins,
tulipas,
magnólias... ah, quanta fantasia!
Flores,
muitas flores, de todos os jardins...
Mas
era o lírio, branco lírio que eu queria.
Flores
d’ouro, dos ipês, brancas, das paineiras,
ou
irisadas, como os dentes-de-leão,
ou
as olorosas flores das laranjeiras,
estavam
todas à minha disposição.
Rosas,
de todos matizes, todas cores,
---
como você, menina-mulher, em botão –
havia
entre tantas e tantas outras flores,
por
todos os lados que olhasse, em profusão.
Nenhuma
despertou a minha fantasia,
sequer
a miosótis, a flor da lembrança.
Era
o lírio, somente o lírio que eu queria
para
ofertar-lhe, doce amada, sem tardança.
Enfim
o lírio, de evanescente brancura,
logrei
encontrar, nesta andança feita a esmo.
Mas
não pude pôr fim à ingente procura:
perdido,
agora, busco, apenas, a mim mesmo...
(Poema composto em Campinas,
em 17 de setembro de 1965).
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
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