Fotografia
* Por
Caio Junqueira Maciel
Contemplo
a fotografia do pai brincando com a última neta;
adivinho-lhe
as palavras ditas, risos idos
percebo
até mesmo os dedos se moverem,
tocando
o nariz de Rachel.
Agora
a fotografia vive, a criança grita,
sua
mãe põe-lhe a chupeta e o avô caminha para a farmácia
ele
segura algumas notas de um cruzeiro.
Ouço
conversas corriqueiras de manhã de domingo,
vem
da igreja um resto de sermão da missa das dez.
Sinto
o azul do céu de Cruzília
que
aos poucos pincela a foto em preto e branco.
O
amarelo da igreja agride o verde do jardim,
na
rua passa o fusca vermelho do sô Saulo
e
minha mãe vem da feira trazendo couve-flor.
O
cheiro de iguarias chega-me, nítido.
Vadico
sutilmente surrupia um pastel da bandeja
e
Aninha, de avental, inventa um novo prato.
Olho
tudo, com fome de tudo, aqui,
do
outro lado do retrato.
*
Poeta.
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