Baobá
* Por
Urânia Munzanzu
Não quero flores, quero um Baobá!
...e um homem que deseje meu corpo de abundantes
curvas, meu cabelo crescendo para o alto, minhas ancas largas para guardar
filhos, meu cheiro
Não quero flores, quero um Baobá!
...e a minha boca carnuda, para o meu amor, será
uma fonte de desejo e deleite.
Não quero flores, quero um Baobá!
Pois quero que meu homem entenda o meu jeito de
fazer as coisas, como os modos
de uma rainha,
e esteja livre do pensamento plantado em nós pelo
colonizador.
Não quero flores, quero um Baobá!
Para que meu homem saiba dos meus seios fartos, que
alimentarão crianças,
e a cumplicidade entre marido e mulher.
Não quero flores, quero um Baobá!
Pois com o meu amante quero construir uma casa, ter
um lar, cuidar das plantas,
perder noites de sono com as crianças, ser parceira
nos seus sonhos,
e dormir empernada nas madrugadas frias...
Não quero flores!
Elas têm vida curta, e vulnerável ao frio, ao
vento, à chuva, ao sol...
Quero o Baobá!
Ele se ergue em terra firme, e o mesmo sol, e a
mesma chuva o tornam frondoso e abundante.
Ele pode não trazer o perfume a beleza das
flores...
*
Jornalista, cineasta e poetisa.
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