Fazendo do alimento o seu remédio
* Por Clóvis Campêlo
Do meu amigo de longas
datas José de Arimateia, que hoje mora na cidade de Atibaia, em São Paulo,
recebo um e-mail interessante. Nele, o cirurgião americano Caldwell Esselstyn,
77 anos, fala sobre a dieta que aplica nos seus pacientes cardiopatas e que não
só evita e detém as doenças cardíacas, como também as reverte.
A alimentação por ele
proposta se baseia no uso exclusivo de folhas, frutas, legumes e grãos
integrais, deixando definitivamente de lado as carnes (vermelhas ou brancas), o
leite e seus derivados, as massas e os cereais refinados e açúcar. O método
alimentar, aperfeiçoado nos últimos 30 anos, propõe que garfos e facas
substituam os bisturís nas nossas vidas.
O método do médico
americano foi tema do documentário Forks over knives (Garfos em vez de
bisturís), lançado nos States e ainda inédito no Brasil. O filme conta a
história exitosa dos pacientes de Esselstyn tratados pelo método na Cleveland
Clinic, de Ohio, e que superaram suas cardiopatias e evitaram cirurgias de alto
risco ao adotar a dieta.
Em entrevista por
telefone ao jornal Folha de São Paulo, o cirurgião afirma o seguinte: “Se você
come a dieta típica ocidental, cheia de carne, óleo e laticínios, você vai ver
que, entre mil pessoas, algumas terão infarto aos 40 anos, outras aos 50,
outras aos 60, 70 ou 80. Você pode dizer que, geneticamente, quem tem infarto
só aos 80 é mais forte para resistir a essa dieta extrema. Por outro lado, se
todo mundo come uma dieta baseada em vegetais, todos são poupados”.
Segundo dr. Esselstyn,
toda vez que comemos azeite, óleo, leite manteiga, queijo, sorvete iogurte e
carne, machucamos o endotélio, delicado revestimento das artérias que produz
uma molécula chamada óxido nítrico, que é vaso dilatadora e protege as paredes
dos vasos sanguíneos.
No seu método
curativo, o médico coloca sob suspeita até mesmo o uso do azeite de oliva na
alimentação diária: “Quando você estuda o efeito do azeite de oliva com um
teste de ultrassom da artéria braquial, no braço, que mede os danos ao
endotélio, vemos que o óleo machuca os vasos”.
Afirma ainda: “A
medicina tem evoluído no sentido de criar uma lista cara de remédios e de
procedimentos perigosos, como a colocação de stents e pontes de safena. Com o
tempo, é preciso colocar outro stent, fazer outra ponte, tomar mais remédios,
e, no fim, a pessoa morre do coração assim mesmo. Os médicos, não sei o porquê,
passaram a acreditar que as pessoas não são capazes de mudar seu estilo de
vida. A revolução da saúde nunca vai acontecer por causa da descoberta de um
remédio. A revolução vai acontecer quando as pessoas estiverem informadas do
ponto de vista nutricional, para evitar as comidas que vão fazê-las perecer por
uma doença”.
E encerra a sua
entrevista com uma crítica pertinente: “O Brasil está destruindo a atmosfera e
o mundo ao queimar as florestas que são ótimas para capturar o CO2. Por quê?
Para produzir carne, que vai fazer as pessoas morrerem cedo e ter vidas
miseráveis e infelizes. Se toda essa área for substituída por vegetais, é
possível produzir muito mais. Vamos comer plantas, é para isso que fomos
criados”.
Tive o trabalho de
encaminhar esse material para as mais de 300 pessoas que compõem a minha lista
de relacionamento e apenas três dessas pessoas (menos de 1%) se sensibilizaram
ao apelo.
Enfático, o meu amigo
Alberto Felix, que mora em Osasco, assim respondeu: “Que merda! Nós vamos comer
casca de pau e folha de mato e ser feliz? Uma porra! Eu quero churrasco,
picanha, chambaril e mão de vaca (sem esquecer uma boa feijoada). Os naturebas
podem ir para o partido de Marina e Sting!”
O músico e poeta
Wagner Ortiz foi mais ponderado nas suas colocações: “Gostei, Clóvis. Venho
tentando mudar minha alimentação nas últimas décadas, preferindo saladas,
frutas, produtos orgânicos e integrais, mas é difícil deixar aquele bifinho
suculento. É a cultura adquirida, nós aprendemos isso. Agora, temos que
aprender a comer somente verduras!”
Ubiratan Souza, músico
e compositor maranhense, mesmo não respondendo diretamente, teve o cuidado de
repassá-lo para a sua lista de contatos.
* Poeta, jornalista e radialista.
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