Fotos
Fernanda Paulino
Pelas
Trilhas de Karla Celene do
Brasil
* Por
Mara Narciso
“País de diversidades, a cultura é nossa identidade”.
Há uma predeterminação
de gente se emocionar com coisas bonitas, especialmente música, dança e poesia,
pois, “meu corpo é fitas, meu corpo é festa”. Ana Valda Vasconcelos fala ao
término, que “o show ‘As Trilhas do Brasil’ é completo e altamente cultural”. O
Fitas - Grupo de Tradições Folclóricas desde 2005 vem movimentando o meio
cultural de Montes Claros, com seus 40 bailarinos. Desta vez, com roteiro da
escritora e professora de Literatura Karla Celene Campos e Direção de Léo
Dumont mostra toda sua força. Contando com o trabalho da esfuziante e
hiperbólica atriz e declamadora faz uma ponte para cima, ampliando o alcance
cultural da sua apresentação. “Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo,
procurando”..., é assim, com versos de Raul Seixas que começa e termina a
viagem inédita e inesquecível. A música tema do grupo também é sobre letra de
Karla Celene, que diz que namorava o grupo Fitas há tempos, também era namorada
por ele, e que agora se dá o casamento.
A singeleza do
auditório do Colégio Marista São José, um parceiro, atrapalhou, mas não
comprometeu a apresentação do grupo de dança, que, composto por jovens está
maduro para visitar o exterior e para lá irá em breve, já se encontrando de
malas prontas. Como bem disse Karla Celene no Programa Nossa Arte Nossa Gente,
da Rádio Unimontes, “O Brasil invade Portugal!”
Com uma banda com
forte batuque de tambores, sanfona afiada, acordes harmoniosos, cantores de
amplo poder vocal, a performance mantém a platéia ligada. Portando uma maleta,
roupa preta e um cachecol rosa choque, a roteirista mostra a estrada a seguir,
usando poemas de sua autoria amarrados a versos conhecidos da Música Popular
Brasileira. No nome do espetáculo a palavra “trilha”, de acordo com a autora,
viaja do significado de caminho à trilha sonora. A banda pode cantar uma música
cujos primeiros versos tenham sido falados pela atriz. Então, o grupo de
dançarinos-cantores faz a festa, esbanja alegria, vibração, luz e energia, com
ritmo e cor empolgantes. Quando a música é universal, o público canta junto e,
espontaneamente, acompanha com palmas no ar.
A capacidade
interpretativa e a paixão tão ampla quanto a envergadura dos seus braços fazem
de Karla Celene a pessoa exata para servir de guia para os lugares visitados.
Atrás dela, até os mortos querem ir. Ninguém fica imune ao seu chamado, mesmo
quando algum zum-zum é ouvido no auditório. Silêncio, pessoal, a música está
chamando!
As crianças mostram o
gostoso frevo numa apresentação feliz. Moças e rapazes bonitos, trazendo lendas
e oferendas, são seguidos pela tradução simultânea em Libras, Língua Brasileira
de Sinais. Os sapateados, balanços e evoluções primorosas são ornados com boas
maquiagens e esmerados figurinos compostos de botas, bombachas, saias rodadas,
penachos, fitas e mil adereços cenográficos. O show começa pelo Rio Grande do
Sul, passando por São Paulo, Bahia, Pernambuco, Amazonas, Pará e terminam em
Minas Gerais, precisamente em Montes Claros. O Xaxado de Virgulino Ferreira da
Silva, o Lampião, foi um dos pontos altos, seguido pela moça de branco e sua
dança africana, além de outras entidades de lá. A apoteose fica por conta dos
caboclinhos, marujos e catopés, cujo clímax é “Montesclareou”.
Os versos, melodias e
danças cheias de graça são apresentados em estado de apogeu por quase duas
horas, numa viagem colorida de fitas e cores. Passageiros, garantam já seus
lugares e se preparem para a próxima viagem. A qualidade do Grupo Fitas
arrebatou todos os corações.
*Médica endocrinologista, jornalista
profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e
Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a
Hiperatividade”
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