Pílulas literárias 245
* Por
Eduardo Oliveira Freire
EX-SURFISTA
Quando via uma onda em
qualquer lugar, ficava encharcado. Todos se assustavam ao vê-lo molhado e
ofegante de repente.
ARREBATADOR
Gostava de ser feio,
pois como nada vinha de graça, teve que usar a imaginação e a inteligência para
conquistar os obstáculos. A natureza não deu a beleza, entretanto ele com sua
conversa agradável e perspicácia seduzia a todos, principalmente, o público
feminino. As diferentes mulheres eram desde patricinhas a intelectuais. Um dia,
quando morreu repentinamente, amigos e suas ex-namoradas foram ao seu velório e
observaram pasmados o corpo franzino e orelhudo. Mas, a imagem que construiu ao
longo dos anos, viverá na memória das amantes e amigos.
DEPRESSÃO
Desde menino,
diziam-lhe para sempre ser simpático e feliz. Satisfazia as expectativas dos
outros com a intenção de conseguir benefícios. Fez uma máscara sorridente que
ocultava suas fases tristes e de angústia.
Um dia, desapareceu. A única coisa que encontraram foi a máscara
sorridente sobre a cama e uma cratera enorme no quintal de sua casa.
MESMO SONHO...
Está entre Romeu e
Julieta, mas, não é um empecilho. Pelo contrário, o casal o beija e os três se
tornam um só. Quando amanhece, percebe que o celular está em cima do
travesseiro. Na tela, estão os dois juntinhos, porém, incompletos, já que ele
não está na foto.
INTIMIDADE
Durante muitos anos
ele trabalhava numa biblioteca e tinha uma formalidade com o manejo dos livros.
Observava a nova moradora da pensão que sempre esquecia a porta entreaberta.
Ela lia diferentes livros na cama a cada dia e, muitas vezes, adormecia com
algum entre os braços. O bibliotecário entrava com passos de anjo e, com muita
delicadeza, retirava o livro dos braços dela.
CAÇADOR
Era o melhor da
região. Uma vez, o desafiaram a caçar o alvo mais difícil de todos, o que está
dentro do seu interior. No primeiro momento, ficou enfadado com a perseguição.
Entretanto, com o decorrer do tempo, começou a gostar da busca. Quando estava
prestes a sobrepujar a presa, deixava-a fugir, para retornar à perseguição.
***
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
Caçador: melhor não dar de cara consigo mesmo.
ResponderExcluir