Crônica de Finados
* Por
Betha Mendonça
É comum no Dia de
Finados fazerem reverência aos mortos, lembrar das coisas vividas em comum,
acenderem velas, depositarem flores sobre lápides e derramarem lágrimas cheias
de saudades. Mas, aos meus sentires lembranças e saudades vêm quando menos
espero. Através de um “déjà vu”, uma palavra, odor, olhar, sorriso, música ou
gesto.
Não quero ser uma
morta que só lembrem (quase por obrigação) em um dia predeterminado do ano.
Nada de velas, flores, lavagem de túmulo... Quero ser cremada! Que minhas
cinzas sejam jogadas na Baía do Guajará, para que eu possa abraçar minha bela e
amada Belém, mesmo depois que me for...
Meus mortos eu carrego
vivos comigo! Nunca serão fantasmas! Vivem no cotidiano das minhas recordações.
Sinto que me apóiam nos momentos difíceis e deliciam-se em risadas de guizos
quando estou feliz.
Não creio no Dia dos
Finados como não creio que meus entes queridos (ditos mortos) vivam num
cemitério frio sob a terra escura. Não vou lá para dizer orações e fazer o que
a maior parte dos vivos faz no Dia dos Mortos: só acredito no Dia dos Vivos!
*
Escritora.
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