Tudo se transforma...
“Na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se
transforma”. Qualquer adolescente minimamente informado, com noção elementar de
química e de física, conhece de sobejo esse enunciado, mesmo que não pense
amiúde (ou mesmo nunca) nele. Trata-se do que a Ciência consagrou como uma das
suas leis naturais, que rotulou de “Lei da Conservação da Massa”, ou de “Lei da
Conservação da Matéria”, ou, ainda, de “Lei de Lavoisier”, em homenagem ao
químico francês Antoine Lavoisier (que teve a cabeça decepada na guilhotina no
chamado “Reinado do Terror” da Revolução Francesa). Apesar da paternidade dessa
“descoberta” (que, de fato, não passou
de mera “constatação”), ter sido atribuída ao citado cientista, esse princípio
certamente passou antes (muitíssimo antes) pela cabeça de milhares (sabe-se lá
quantas) de pessoas, de tempos bastante remotos (sabe-se lá de quando), posto
que ou era contestada, ou os que pensavam nela não ousavam expressá-la, ou
talvez tivessem somente intuição a propósito, sem nenhuma convicção.
Se Lavoisier não houvesse estabelecido (na verdade “constatado”,
pois mesmo se não fosse identificada por ele existiria à sua e à nossa revelia)
essa “lei”, certamente outro pesquisador
qualquer o faria. Porquanto a mim (e provavelmente a você também, caríssimo
leitor) ela parece ser absolutamente óbvia, embora os que se recusem a pensar
no que os cerca (a maioria absoluta da humanidade), não se dêem conta de tal
obviedade. Apesar desse conceito ser aplicável, sobretudo, à Química e à Física,
ele é verdadeiro para tudo no mundo. E não apenas na Terra, mas em todo o
Universo. Há quem argumente que matéria se transforme em energia (mas o
vice-versa não ocorre). Isso, todavia, não derruba a lei, apenas a comprova.
Não há, no caso, destruição e nem criação de nada. Só há transformação. Bem,
não vou me aprofundar no tema, não pelo menos do ponto de vista científico,
pois não sou cientista. Sou escritor (ou talvez mero “escrevinhador”, como
costumo me auto-qualificar).
Trago, pois, a “Lei de Lavoisier” para um terreno mais chão,
que me é mais familiar: o do “feijão com arroz”, ou seja, o do cotidiano. Nesse
sentido, considero esse princípio natural sumamente positivo, para não dizer
decisivo para a própria sobrevivência humana. Para justificar essa afirmação,
vem-me de imediato à memória um exemplo, digamos, escatológico, certamente de
mau gosto, nem por isso menos verdadeiro: o da produção diária de dejetos
humanos. O leitor já pensou na quantidade de fezes e de urina gerados em um
único dia por mais de 7,2 bilhões de indivíduos? Ascende a bilhões, quiçá a
trilhões ou mais de toneladas. Já imaginaram se esse resíduo biológico todo não
se transformasse, não se modificasse e não se degradasse de maneira natural? O
Planeta estaria muito mais emporcalhado do que já está, que não é pouco, convenhamos.
Esses dejetos vêm se produzindo, dia a dia, sem cessar, há
milhares de anos (sabe-se lá quantos), desde o surgimento da nossa espécie. E
não é apenas o homem que os produz. Todos os seres vivos, sem exceção, também
os geram. E estes ascendem a alguns bilhões de espécies, cada qual com número
incontável de espécimes. Ainda assim... o mundo é razoavelmente habitável. Por
que? Porque esses dejetos se transformam, graças à atuação de bactérias
específicas, para as quais eles são “alimentos”. Sapientíssima natureza, embora
em certos aspectos não deixe de ser cruel, posto que implacável! Tudo se
transforma e o tempo todo. Nós nos transformamos a cada dia, a cada hora, a
cada minuto, mesmo que tais transformações sejam imperceptíveis.
Transformamo-nos a vida toda, do nascimento à morte. Nossas
obras se transformam, mesmo quando nos pareçam destruídas. Não são! São
transformadas em algo diferente do que fizemos. Mas cada fragmento delas
continua presente em algum lugar, posto que modificado. O mesmo ocorre com nossas
idéias, que evoluem ou se degradam, de acordo com a natureza de nossas ações. O
Sol, um dia, quando esgotar todo seu combustível, se transformará,
provavelmente, numa anã vermelha. A Terra passará por essa transformação e
virará cinzas ou algo que o valha. A Via Láctea irá se transformar. Mas nada
novo será criado. E nada velho será destruído. Tudo, tudo será transformado.
Pelo menos é o que a intuição me dita, com base nessa inflexível lei da
natureza. Pensem nisso, mesmo que tal pensamento não sirva para nada prático,
além de transformá-los um pouco mais, talvez em pessoas mais conscientes.
Boa leitura!
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Dizem que surgem novas estrelas todos os dias, assim como novos planetas. Minha mente é pequena demais para compreender isso. Quanto aos dejetos, rendeu-me risadas. Penso nisso em época de eleições. Como dar comida, água, esgoto, casa e outras perfumarias para tanta gente?
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