Pronta?
* Por
Evelyne Furtado
Nunca estou pronta.
Toda hora constato que falta alguma coisa ou que tem algo sobrando em mim.
Às vezes saio de casa
com a sensação que esqueci de por batom, que não trouxe o celular ou que estou
sem dinheiro.
Nessas horas faço um
check list para me tranqüilizar e muitas vezes constato que esqueci algo. Se
der para voltar, ótimo. Caso contrário vou sem lenço, sem documento, ou sem os
brincos.
Em outras ocasiões
sinto que carrego peso demais. Bolsa abarrotada de quinquilharias, mala cheia
de roupas que não usarei, lembranças volumosas ou excesso de expectativas. È o
momento de retirar itens dispensáveis, embora tudo me pareça essencial.
Quando é o coração que
pesa uma tonelada o trabalho para torná-lo suave é penoso. Haja oração,
meditação, razão e lágrimas, enquanto busco novas conexões neuronais para
suavizar a bagagem.
Na verdade creio que
ninguém está pronto. Estamos continuamente nos adaptando ao presente e nos
preparando para o próximo movimento da vida, para o qual, de forma a evitar
ansiedades desnecessárias, usarei um pretinho básico, que pode até ser o
vestido estampado, contanto que me deixe à vontade comigo mesmo.
*
Poetisa e cronista de Natal/RN.
Bela filosofia. Queria estar de short e camiseta, sandálias de borracha, cartão do banco no bolso. Em Natal. Aí seria uma boa providência.
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