Nada menos que confidencial
* Por
Mara Narciso
Há mais de dez anos
são dados golpes de falso sequestro pelo celular. Uma mulher atende ao telefone
e uma voz esganiçada conta para a “tia” que está no meio da estrada com o carro
quebrado e precisa que ela deposite um dinheiro em sua conta para sair da
enrascada, ou alguém chora ao fundo e o pseudossequestrador fala que vai matar
o filho de quem atendeu ao telefone. As ameaças terão fim caso o incauto faça
um depósito de créditos no número indicado.
Apesar do golpe velho,
os telefonemas continuam e se continuam deve ser porque há quem se sinta
ameaçado e atenda às exigências dos meliantes. Estes se aprimoraram e telefonam
o dia inteiro de diversos números. Mesmo não tendo a menor possibilidade de
serem atendidas, as chamadas insistem ao nível do absurdo e chegam a zerar as cargas
das baterias de tanta persistência.
Partindo do princípio
de que é possível que números não identificados sejam provenientes de
presídios, os quais levam o nome genérico de Carandiru, é conveniente não
atendê-los. Tempo ocioso é o que não falta aos presidiários. São, em sua
maioria, homens jovens que estão enclausurados, e que, de alguma forma se ligam
irregularmente ao mundo externo pelo celular. Os detentos também telefonam de
números que parecem ser fixos.
Há quem perca a viagem
por não atender números visíveis, porém desconhecidos, num caso de desmarcação
de compromisso. Quando chegam ao local após o deslocamento inútil, alegam que
não receberam o aviso por se negar a atender telefones não agendados.
Dependendo do tipo de
telefone e de programa é possível fazer seu número desaparecer da tela de quem
recebe sua chamada. Palavras como número desconhecido, oculto, confidencial ou
privado podem denominar quem telefona. Qual é a intenção da pessoa que usa esse
artifício? Quer ficar secreto, na clandestinidade com qual intuito? E mais,
quem vê tais palavras em cena atenderá a chamada?
Em tempos de grampos e
crimes tecnológicos, muitos quererão ficar no anonimato, não aparecer no
receptor para não serem rastreados. Há telefonemas indesejados como
telemarketing, por exemplo, que prefira não ter seu número identificado para
não provar do próprio veneno.
Dando nomes aos bois:
malhado, boi-da-cara-preta, secreto, desconhecido, privado, oculto,
confidencial, você pode fazer uso desse expediente sem precisar quebrar a
cabeça em configurações, podendo ser o chato que liga e que muitos têm receio
de atender. Sem o seu número não é possível retornar. O caminho da delinqüência
está ao alcance da mão, basta seguir os passos ensinados em mil sites e seu
número não será registrado, aparecendo na tela: chamada recebida, número
privado. Algumas operadoras possuem a alternativa “ninguém” quando se entra em
configurações e se escolhe a ID de chamada, optando por “ocultar número”.
Podem-se usar plataformas móveis que permitem configurar para não ver nenhum
número e nem mostrar seu número. Quem ensina acha válido ter privacidade e
ocultar a sua identificação. Depois se pode voltar para mostrar número ou
padrão de rede. Também é possível utilizar um hashtag específico que serve para
todos que querem se esconder.
Em contrapartida há
sites pagos que desvendam o mistério, assim como existem aplicativos que
possibilitam descobrir os números ocultos e bloqueá-los, no entanto as
permissões para baixá-los são bem invasivas. Assim, a guerra se mostra longa.
É questão de segurança
para algumas situações de risco, ou há clara má-intenção nesse artifício? Resta
saber se do outro lado da “linha” o receptor terá prazer em falar com o agente
misterioso que lhe chama. É bom pensar um pouco antes de dizer o antiquado
“pronto”, o antigo “alô”, os atuais “olá”, ou “oi”, ou “e aí”?
*Médica endocrinologista, jornalista
profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e
Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a
Hiperatividade”
São cada vez mais intrigantes os estratagemas que nos ludibriam via celular, Mara. Eu sofro há meses com um "desconhecido" que depois se identifica como Santander...
ResponderExcluirNão querem que você saiba quem são, para que você não retorne para perturbá-los. E nem mencionei o golpe do número de telefone ou e-mail premiado. Para ganhar mil reais você tem de depositar na conta deles pelo menos dois mil. Mas há quem ache que vale a pena. Grata por comentar, Marcelo.
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