Cérebro e coração
* Por
Medeiros e Albuquerque
Dizia o coração: “Eternamente,
eternamente há de reinar agora
esta dos sonhos teus nova senhora,
senhora de tu’alma impenitente.”
E o cérebro, zombando: “Brevemente,
como as outras se foram, mar em fora,
ela se há de sumir, e há de ir embora,
esquecida também, também ausente.”
De novo o coração: “Desce! Vem vê-la!
Dize, já viste tão divina estrela
no firmamento de tu’alma escura?”
E o cérebro por fim: - “Todas o eram...
Todas... e um dia sem amor morreram,
como morre, afinal, toda ventura!”
(Pecados, 1889).
*
Jornalista, professor, político, contista, poeta, orador e romancista, membro
da Academia Brasileira de Letras.
Nenhum comentário:
Postar um comentário