CARTAS
QUE NÃO SE REPETIRÃO JAMAIS Nº 8 – DE ZÉLIA GATTAI PARA URDA ALICE KLUEGER
(Em papel timbrado de
Zélia Gattai – datilografado)
Salvador, 14 de
outubro de 1995.
Querida Urda,
Recebi e agradeço a
sua carta de 23 de setembro, acompanhando “Recordações de amar em Cuba II”.
Desculpe a demora da resposta. Tenho andado ocupadíssima com vários
compromissos e não queria lhe escrever apenas um bilhete de agradecimento às
belas e generosas palavras sobre “Crônica de Uma Namorada”. Queria antes ler o
seu livro o que fiz aos poucos: dez páginas pela manhã, outras tantas à noite
ao me deitar. Leitura demorada porem feita com grande interesse pois, o
problema de Cuba me interessa, me toca. Visitamos Cuba, Jorge e eu, duas vezes.
A primeira foi quando ainda era “pecado” viajar para lá, a outra, há uns dez
anos mais ou menos, Jorge convidado a presidir um festival de cinema.
Gostei do seu livro
pelas boas observações, pela sinceridade. Ele é gostoso de se ler, é um livro
que conta as coisas como elas são sem, no entanto, criticar um país bloqueado,
de mãos atadas, que consegue sobreviver lutando por dias melhores. Parabéns,
Urda.
Gostaríamos de receber
a fita de vídeo gravada durante o sarau literário sobre Jorge Amado. Material
de grande interesse, depois de visto o mandaríamos para a “Fundação Casa de
Jorge Amado”. Antecipadamente, agradeço.
Jorge junta-se a mim
para abraçá-la afetuosamente
Zélia
(A seguir, escrito à
mão)
Um abraço amigo de seu
leitor e admirador
Jorge.
* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e
doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de mais três dezenas de livros, entre
os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12
edições).
Tão perto e tão longe. Bom saber que aconteceu.
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