Just
a dreamer?
* Por Ronaldo
Bressane
“O sonho é uma simulação do futuro.
Sempre que tenho uma situação de pressão, presto atenção aos sonhos e tenho
boas respostas.” O parágrafo saiu da boca de um dos mais importantes
neurocientistas do mundo. Bem — não seria mesmo um dos melhores se fosse um
cara comum. A começar pelo nome, tirado do clássico de Herman Hesse. O romance
que conta a trajetória de um inquieto brâmane, xará de Sidarta Gautama, o Buda,
em busca da iluminação, era um dos favoritos dos pais, um casal de taquígrafos
que transcrevia discursos políticos no Congresso, em Brasília. Quando
se descobre que a principal diversão de Sidarta Tollendal Gomes Ribeiro, 35, é
a capoeira, aí é que ele não se encaixa mesmo como um cientista padrão.
“Capoeira é filosofia de vida: saber cair, ser mandigueiro”, descreve. O candango chegou aos EUA depois do mestrado em biofísica, no Rio de Janeiro, para estudar neurociência na Universidade Rockefeller,
Interessado em envolver os locais no NatalNeuro — que deverá abrigar escola para 250 crianças e clínica de saúde mental —, o neurobiólogo caçou alunos numa favela para descobrir que ensinar algo para crianças carentes é muito mais complexo. “Resolvi dar aula de capoeira, mas vi que antes tinha de ensiná-los a não xingar... Mas estou certo de que da capoeira vão aos computadores”, acredita o entusiasmado Sidarta, que teve seu sonho postergado por atrasos nos investimentos e em sucessivos entraves burocráticos. Mas fique frio: agnóstico, ele detesta papo cabeça. E adora dormir — religiosamente, oito horas por dia.
* Ronaldo
Bressane é escritor (Céu de Lúcifer) e redator-chefe da revista Trip (www.trip.com.br); seu blog é o Impostor
(impostor.wordpress.com).
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