CARTAS
QUE NÃO SE REPETIRÃO JAMAIS Nº 4 – DE JORGE AMADO PARA URDA ALICE KLUEGER
(Em papel timbrado de Jorge Amado)
Salvador, 11 de
novembro de 1994.
Cara amiga:
Antes de tudo: se você
quiser me fazer um favor não me trate por mestre; não sou mestre de ninguém –
um romancista é aprendiz do seu ofício até o último livro que escreve como com
certeza você sabe.
Agradeço a sua carta,
bela e generosa como as anteriores. Agradeço ainda mais o exemplar de
“Cruzeiros do sul”. Ainda não iniciei a leitura de seu romance, as minhas
atuais deficiências de visão tornaram-me a leitura lenta e penosa.
Felizmente com os novos óculos que me receitaram
estou conseguindo ler, coisa que não fazia há três meses, viva!
Eu tinha compromisso
anterior de ler alguns livros, estou chegando ao fim. Assim sendo, espero
começar a leitura de “Cruzeiros do Sul” na próxima semana. Apenas o tenha lido,
darei notícias.
Posso adiantar, no
entanto que, estando hospedada aqui em casa amiga nossa muito querida, a
senhora Nadreau – Maria Louise Nadreau, embaixatriz e francesa, leitora
inveterada de boa literatura, capaz de opinião e julgamento – tomou de seu
livro e o devorou em dois ou três dias. Terminou a leitura com exclamações de apreço e admiração pela
romancista e, em seu português da Ilha
d’Oleron, rasgou os maiores elogios à autora Urda A. Klueger. Fiquei ainda mais
curioso, desejoso de comprovar o entusiasmo de Misete. Assim o faça, voltarei a
escrever.
Beijos de Zélia e de
Misete (a senhora Nadreau) e um abraço do seu amigo.
(Assinatura de Jorge
Amado)
Rua Alagoinhas nr 33 – Rio Vermelho – CEP 41910 – Salvador –
Bahia – Brasil
(Digitalizado em 09 de
Agosto de 2015 por Urda Alice Klueger – urdaaliceklueger@gmail.com)
* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e
doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de mais três dezenas de livros, entre
os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12
edições).
Mais uma vez, quanto privilégio de ter vivido essa interação, Urda.
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