Cartas
que não se repetirão Nº 2 - De Jorge Amado
para Urda Alice Klueger
* Por Urda Alice Klueger
(Escrita
em papel timbrado de Jorge Amado)
Sra.
Urda Alice Klueger
Blumenau – SC.
Salvador, 20
de outubro de 1994.
Obrigado, Urda Alice,
por sua carta de 12 de setembro de 1994 que venho de receber. Eu a respondo com
esse bilhete curto que estou ditando à minha secretária Rosane.
Acontece que estou
sofrendo de uma enfermidade nos olhos – na mácula da retina – e desde maio não
lia nem escrevia. Falo no passado porque há uma semana recebi óculos especiais
que me permitem ler, com esforço e dificuldade, e exatamente hoje devo começar
a me exercitar num computador preparado especialmente para mim. Se eu conseguir
dominá-lo, poderei voltar a escrever.
Esta pequena carta com
que respondo a sua carta longa e bela, terna e generosa, eu a dito a Rosane
somente para dizer a você quanto me agradou sua carta (Rosane chama minha
atenção para o fato que estou repetindo a palavra carta pela 3ª. vez no mesmo
parágrafo). Não importa, quero apenas dizer que suas lembranças e comentários –
Erico Veríssimo e a cidade da Bahia – deixaram muito contente este seu velho amigo
e confrade.
Gostaria que você me
enviasse um livro seu, o de sua preferência. Você me diz que me mandou alguns,
não sei quando e que eu retribuí mandando para você exemplar de “Os pastores da
Noite”. Recebo muitos livros, leio apenas alguns, não me sobra tempo para
todos. Mas quero ler imediatamente, com meus óculos novos recém vindos dos
Estados Unidos, um livro seu.
Estou lhe enviando
pelo mesmo correio um exemplar de “A Descoberta da América pelos Turcos”, livro
que escrevi em 1991 e que somente este ano foi publicado no Brasil.
Quando vier a Bahia
telefone-me (fone: 247-2165). Se eu não estiver, fale com a Rosane.
Recomende-me aos seus.
Zélia junta-se a mim
para enviar a você um beijo afetuoso. Do
(Assinatura)
Jorge Amado
Rua Alagoinhas 33 – Rio Vermelho –
CEP 41910 – Salvador – Bahia – Brasil
(Digitalizado em 23 de
junho de 2015, por Urda Alice Klueger, escritora, historiadora e doutora em
Geografia – e-mail urdaaliceklueger@gmail.com .)
* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e
doutoranda em Geografia pela UFPR, autora de mais três dezenas de livros, entre
os quais os romances “Verde Vale” (dez edições) e “No tempo das tangerinas” (12
edições).
Para escritor e leitor, ser impedido de executar o motivo da sua existência é mais que uma tragédia, é a morte.
ResponderExcluir