terça-feira, 14 de abril de 2015

Aquela luz


* Por Ana Deliberador


Meia Branca, o velho cavalo, estava outra vez na estrada. Para enfrentar aquela lama toda, só aquele bravo, mesmo.

José fora a Sertanópolis resolver alguns negócios e estava voltando, já tarde da noite. Noite de pouca luz, já que a lua minguante se escondia atrás das pesadas nuvens.

De repente, no meio da estrada, uma luz intensa, giratória,  o obrigou a puxar as rédeas do assustado animal, que só não caiu porque foi seguro pelo barranco.

E ali ficaram ambos, não se sabe por quanto tempo. José e a luz. A luz e José.

E, como que acordando de um sonho, José viu-se novamente sozinho na estrada escura.

Assustado estava. Assustado chegou em casa.

Não era louco. Não era mentiroso.

Ele certamente vira um…! Certamente vira!

Além de Anita, nunca, ninguém, o ouviu falar sobre aquela luz!

* Professora, pintora e escritora


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