Caçando nos
Sertões do Seridó
* Por Woden Madruga
Hoje, sexta-feira, 13,
lua em quarto minguante, é dia de hastear bandeira no Sebo Vermelho. Pode ser, sim, o pavilhão
nacional (“Auriverde pendão da minha terra,/ Que a brisa do Brasil beija e
balança”, sugerido por Castro Alves),
porque o ato merece um estandarte desse tutano. A partir
das 9 horas, esticando até às 17, na
calçada famosa da avenida Rio Branco 705, na Cidade Alta, onde, há muitos anos
atrás, Gumercindo Saraiva (saudades)
instalou a sua Casa da Música, Abimael Silva abre as portas do não menos famoso Sebo Vermelho para lançar o
livro que marcou a estreia literária de Oswaldo Lamartine de Faria (mais
saudades): A Caça nos Sertões do Seridó.
A primeira edição foi
em 1961, no Rio de Janeiro, através do Serviço de Informação Agrícola, do
Ministério da Agricultura. O livro tem ilustrações de Percy Lau e desenhos do
próprio Oswaldo, além de fotos de esculturas de madeira (de Chico Santeiro) e
de barro (do Mestre Vitalino, de Caruaru), pertencentes a sua coleção particular. Esta nova edição tem
orelhas assinadas por Vicente Serejo e capa de Alexandre Oliveira.
Reeditar Oswaldo
Lamartine já é motivo de festa. Mas o
lançamento de hoje tem um acessório
muito especial: marca o inicio das comemorações dos 30 anos do Sebo Vermelho como editora. Aí são duas bandeiras hasteadas: a do Brasil e a do Rio Grande do
Norte, ambas subindo ao som da Filarmônica de Cruzeta regida pelo Maestro Bebem
Dantas. Vai uma valsa: Royal Cinema.
O Sebo Vermelho tem
recordes nacionais. Em seus trinta anos
de atividades já editou 411 títulos, incluído este A Caça nos Sertões do
Seridó. Poucas editoras (acho que nenhuma) conseguiram editar tantos livros
neste espaço de tempo. Dá uma média de
13,7 livros por ano. Mais de um livro por mês. É fantástico. Na sua
grande maioria autores potiguares. Basta conferir os títulos da Coleção João
Nicodemos de Lima. O distinto público aplaude de pé!
O livro de Oswaldo
Lamartine está dividido em quatro capítulos
(cada um com vários subtítulos): “O começo dos sertões do Seridó”; “O
mundo seridoense”; “A caça nos sertões do Seridó” e “E por derradeiro”.
Acrescente-se “Notas”, “Quadros estatísticos e de fauna” e mais “Referências
bibliográficas”.
Abro o livro e vou
lendo (ou seria ouvindo?) o que Oswaldo escreveu sobre chão duro e os matos de
seus sertões:
- A vegetação é
espinhenta, retorcida, agressiva, mesmo
torturada, no dizer euclideano. Dominam as cactáceas e outras formas xerófilas
que estampam lajedos no solo pedregoso, raso e
áspero. Daí a indumentária do vaqueiro em couro curtido – retratada por
Euclides da Cunha – Os Sertões (‘armadura de um vermelho pardo, como se fosse
de bronze flexível, não tem cintilações, não rebrilha ferida pelo sol. É fosca
e poenta. Envolve o combatente de uma batalha sem vitórias. Forma grosseira de
campeador medieval desgarrado em nosso tempo’).
(Texto publicado no
jornal “Gazeta do Norte”, de Natal/RN, em 13 de fevereiro de 2015).
*
Jornalista e colunista do jornal Tribuna do Norte de Natal/RN
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