segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A multidão


* Por Talis Andrade


Desamparada multidão
Os políticos aparecem
                e desaparecem
Têm os que oferecem
                pão e circo
e os que aumentam
                as promessas
como se fosse possível
realizar uma revolução
com palavras e sangue

A multidão se mutila
                nos jogos
pisa e empurra
                        nas filas
da distribuição frumentícia

Depois que se empanturra
e urra de alegria
                se dispersa
                se enfurna

A multidão
                além dos muros da cidade
invisível e silenciosa
permanece atenta

espalhada por milhares de mocambos
equilibrados um em cima do outro
        nos distantes morros

espalhada por milhares de mocambos
suspensos nos ares
        nos terrenos alagados
        pelos rios e marés

A multidão de repente sozinha
de repente um milhão
passivamente espera
uma nova convocação
para os cantos de servidão

(Do livro “Romance do Emparedado”, Editora Livro Rápido – Olinda/PE).

* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 6 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Romance do Emparedado” (Editora Livro Rápido) e outros cinco à espera de edição.

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