A
multidão
* Por Talis
Andrade
Desamparada
multidão
Os
políticos aparecem
e desaparecem
Têm
os que oferecem
pão e circo
e
os que aumentam
as promessas
como
se fosse possível
realizar
uma revolução
com
palavras e sangue
A
multidão se mutila
nos jogos
pisa
e empurra
nas filas
da
distribuição frumentícia
Depois
que se empanturra
e
urra de alegria
se dispersa
se enfurna
A
multidão
além dos muros da cidade
invisível
e silenciosa
permanece
atenta
espalhada
por milhares de mocambos
equilibrados
um em cima do outro
nos distantes morros
espalhada
por milhares de mocambos
suspensos
nos ares
nos terrenos alagados
pelos rios e marés
A
multidão de repente sozinha
de
repente um milhão
passivamente
espera
uma
nova convocação
para
os cantos de servidão
(Do livro “Romance do Emparedado”,
Editora Livro Rápido – Olinda/PE).
* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel
em História.
Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a
sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife),
“Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 6 livros publicados,
entre os quais o recém-lançado “Romance do Emparedado” (Editora Livro Rápido) e
outros cinco à espera de edição.
Os políticos são imprevisíveis em suas decisões, assim como a multidão.
ResponderExcluir