O amor no bolso da alma
* Por
Evelyne Furtado
Rafael ama
intensamente uma mulher. Para ele o amor aconteceu na maturidade, quando
conheceu Amanda. Até então ele não amara de verdade. Ela correspondeu de
imediato ao amor daquele homem doce e gentil, porém demorou a acreditar na
felicidade.
Não seria um amor
fácil. Teriam obstáculos: moravam em cidades distantes, onde trabalhavam e
faziam pós-graduação.
No entanto, ele a
convenceu, movido pela certeza da paixão, de que venceriam tudo. Amanda
entregou-se à louca aventura do amor de Rafael e se perdeu na ilusão daquele
amor.
Porém vieram os
espinhos e a fizeram chorar. Ele secou cada lágrima de Amanda com rosas, versos
e promessas. O tempo passou. Amanda tinha urgência e reclamava a presença do
amado, cada vez mais. Ele a consolava dizendo que também sofria com a
distancia, mas que a lembrança dos momentos felizes o confortava.
Com ela não aconteceu
assim. Amanda foi murchando. Perdeu a confiança e o rumo. Então, deu-se o
rompimento e ela quase surtou de dor.
Hoje se sabe que houve
amor, sim. Mas em níveis diferentes. Amanda queria a convivência com Rafael.Ele
estranhamente não tinha essa urgência. Dizia que já a amava antes de conhecê-la
e que a amaria para o resto da vida.
Ela não vira, mas, no
auge da paixão Rafael pegara uma boa porção daquele amor e colocara num bolso
de sua alma. Se a tinha na alma, não precisava da presença dela para continuar
amando-a. Talvez isso explique a felicidade constante de Rafael em contraste
com a tristeza que rodeou Amanda por um longo tempo.
* Poetisa e cronista
de Natal/RN
Os mistérios do amor, tão diferentes no durante e no depois entre os pares, são e continuarão sendo fantasias díspares.
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