Tecnologia a serviço da
Hidrologia
A avançada tecnologia
existente na atualidade pode (e mais do que isso, deve) ser posta a serviço da
Hidrologia – “a ciência que estuda a ocorrência, distribuição e movimentação da
água no Planeta”, conforme definição que colhi na enciclopédia eletrônica
Wikipédia – no sentido de preservar, recuperar e ampliar as reservas mundiais
desse precioso e indispensável líquido, essencial à vida, que começa a
escassear por um sem número de razões. Sem querer ser alarmista, este é um
problema que não pode mais ser adiado, antes que se agrave a ponto de se tornar
insolúvel. Trata-se de uma das questões mais graves, das tantas que atormentam
e ameaçam a humanidade e que, conforme evidências, não vem merecendo a devida
atenção da parte dos que deveriam cuidar melhor dela.
Confesso que não sou especialista
na matéria (o que, de tão óbvio, prescinde de admissão), mas mero jornalista e
escritor, preocupado com tudo o que se refira ao ser humano. Para tratar desse
assunto, porém, com pessoas tão leigas como eu (se não mais), é até melhor não
ser especializado nele. Os textos acabam sendo mais informativos, mais
didáticos, menos complexos pela ausência de jargões característicos da
atividade tão ao gosto dos experts, que dificultam a compreensão do tema.
Aliás, já me vi tentado a deixar de lado essa questão e voltar-me a temas
explicitamente literários, conforme, inclusive, sugestão de alguns leitores que
confessam freqüentar este espaço para se informar, somente, do que se refere
exclusivamente às letras.
Confessei, dia desses,
que meus correspondentes às vezes me confundem. E confundem de fato. Sua
importância, ressalto por questão de justiça, é fundamental. Não raro, são eles
que me pautam, sugerindo temas, alguns dos quais rendem, inclusive, alentados
ensaios, embora não raro superestimem meus conhecimentos achando que sei tudo de
tudo (e eu não sei) e me forcem a empreender estafantes pesquisas dos assuntos
mais complexos. Todavia, deixam-me, muitas vezes, num beco sem saída. Quando? Quando
as sugestões se dividem. Ou seja, quando determinado grupo sugere que eu trate
de certos temas e outro como que exige que eu não coloque a mão nessa cumbuca e
centralize toda a atenção em questões exclusivamente literárias. É o que vem
acontecendo em relação às minhas abordagens sobre água potável.
Uma parcela desses
leitores entende que já tratei do essencial a respeito e que chegou a hora de
mudar de assunto. Outra, no entanto, quer que eu continue, até pela relevância
da questão, e que a esmiúce ao máximo, enquanto houver o que abordar. Como não gosto
de me fazer de difícil e de decepcionar quem quer que seja, adotarei decisão “salomônica”.
Continuarei tratando de “água potável”, mas interromperei minhas abordagens tão
logo surja algum tema literário inadiável que, se não for tratado de imediato,
perderá atualidade. Estamos combinados? Até porque, essa questão também se
insere no rol das potencialmente tratáveis em Literatura. Depende da abordagem
que lhe for dada. Tudo o que se refere ao homem, concreto ou abstrato, mas tudo
mesmo, integra o universo literário. É assim que entendo essa nobilíssima
atividade.
Bem, essas explicações,
que considero pertinentes e necessárias, consumiram muitas linhas desse espaço
e sobraram poucas para tratar, especificamente, da questão da água potável.
Lembro-me de um exemplo em que a tecnologia foi posta a serviço da Hidrologia.
Uma técnica, desenvolvida conjuntamente pelos Estados Unidos e por um consórcio
europeu, se não me falha a memória em 1993, de previsão do caudal dos rios, ou
seja, do seu volume, foi testada com sucesso no Nilo. O método pode resolver,
pelo menos em parte, o problema de escassez de água que já afeta pelo menos 30
países.
Trata-se de um sistema
de previsão de longo prazo de chuvas nas cabeceiras dos rios que determinam
maior ou menor volume de suas águas, permitindo que se planeje o consumo de acordo
com os resultados. Ele baseia-se em estatísticas fornecidas pelo satélite
europeu Meteosat. O sistema foi criado pela Administração Nacional Atmosférica
e Oceânica, contando com o patrocínio da Agência para o Desenvolvimento
Internacional dos Estados Unidos. As equações estabelecidas a partir de imagens
projetadas do espaço e estudos das precipitações no Rio Nilo – onde a
tecnologia foi testada, mas que pode ser replicada em outros tantos cursos de
água – permitem criar simulações de computador de extrema exatidão. Através
delas, é possível fazer previsões de chuvas nas cabeceiras com altíssima
exatidão e com três meses de antecedência. Antes, elas só eram possíveis para
um período de quinze dias.
Este é só um dos tantos
exemplos de como a tecnologia pode auxiliar no controle das águas. Um dos meus
tantos e preciosos correspondentes sugeriu-me que tratasse dos aqüíferos e,
principalmente, do Guarani, que é o segundo maior do mundo. Diz-se que esta
vasta reserva subterrânea, de cerca de 1.200.000 quilômetros quadrados (70% dos
quais no subsolo do centro-sudoeste do Brasil) – que se distribui, ainda, entre
o nordeste da Argentina, noroeste do Uruguai e sudeste do Paraguai – é suficiente
para fornecer, sozinha, água potável a toda a humanidade por duzentos anos!!!
Será?!!! Todavia... mesmo que a projeção seja correta, o Aqüífero Guarani
estaria em sério risco, e por vários motivos. Mas... este é um assunto que fica
para uma outra vez.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
O tema dá medo, e a sua informação esperança. Adiante com isso, Pedro!
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