Noite dos fantasmas
* Por Pedro J. Bondaczuk
Ouço ao longe sons de passos
furtivos,
incertos, trôpegos, ecoando
na calçada.
É noite...Noite escura dos
fantasmas
dos trânsfugas e solitários,
em que todas minhas saudades
conspiram contra a mental
sanidade.
Ao longe, um cão uiva para a
lua,
profética lamúria,
lamento instintivo e
ancestral.
Um bêbado tangencia o
horizonte,
em uma coreografia caótica,
dança incoerente, patético
balé.
Na semi-obscuridade do
quarto,
mariposas orbitam o poeirento
lume,
projetando sombras bailarinas
nas paredes nuas, manchadas
de solidão:
vida louca, alma vadia, fugaz
ilusão...
A memória resgata a crônica
do ontem,
perdida nos meandros do
passado;
mortos queridos, amores
extintos,
amigos distantes,
respeitáveis inimigos.
Conclave imaginário de
fantasmas...
Pontas de cigarros erigem
pirâmide
desordenada no cinzeiro de
vidro
(ou seria de alabastro? ou de
cristal?).
Fumaça azulada desenha
incerto
itinerário ao redor da suja
lâmpada.
Estou só no
quarto...("sozinho na América",
diria, dramático, o poeta de
Itabira),
nesta noite, modorrenta e
triste, dos insones.
* Jornalista,
radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual
Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do
Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe,
ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova
utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas). Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Nenhum comentário:
Postar um comentário