Sinais (mais uma
história de amor)
* Por
Vítor Orlando Gagliardo
- Você aceita montar um
jornal para nossa Paróquia?
- Claro, padre.
E dessa forma, Marcos
aceitou o convite para montar um boletim informativo mensal.
Depois de três anos
afastado da religião, começou aos poucos a freqüentar a missa dominical das
10h. O convite do Pe surgiu em um ótimo momento. Foram três semanas de
cansativas reuniões para elaborar a parte gráfica e editorial do jornal.
O Pe sempre lembrava da
necessidade de atrair os jovens e de manter fiel o público idoso (a maioria).
- No primeiro número
vamos falar sobre a Pastoral dos Jovens. Procure a Jaqueline, a coordenadora -
disse o Pe.
E assim foi feito. Ao
falar com Jaqueline, Marcos se encantou com uma menina que estava ajudando-a.
Seu nome era Patrícia. Ela era encantadora. Marcos se culpou por não falar
diretamente com Patrícia. Não conseguia tirá-la do pensamento.
O primeiro jornal saiu.
A repercussão foi ótima.
- No próximo sábado
faremos um retiro de um dia. Seria importante sua presença.
- Estarei lá.
O Padre montou um
esquema de carona. Marcos iria com um rapaz chamado Alex que ele jamais tinha
visto na Paróquia. No dia combinado, um sábado por volta das oito da manhã,
Marcos tem uma surpresa: o tal Alex não poderia mais ir.
- E agora, padre?
- Ele pode ir comigo.
Tem vaga no meu carro – disse Solange.
Solange era catequista.
Tinha participado de algumas reuniões para a criação do jornal. Para a surpresa
de Marcos, Solange era justamente a mãe de Patrícia. Ela passou o retiro
inteiro falando da filha. A empatia entre os dois foi imediata. Após um dia
inteiro de retiro, quando já estavam chegando em casa, Solange teve de fazer
uma pausa inesperada.
- Vou parar lá em casa
para pegar minha filha. Ela precisa comprar uma roupa para a faculdade.
E ainda brincou com
Marcos.
- Agora que você já
sabe onde moro, pode passar aqui a hora que quiser.
- Só se você me
convidar para um almoço.
Os dois riram.
Quando Patricia entrou
no carro, seu coração acelerou. Depois de um rápido cumprimento, ficaram
calados por um minuto. Marcos ficou na porta da Paróquia e as duas seguiram
para o shopping.
- Como posso estar
apaixonado por que nem conheço direito? – perguntava-se o tempo inteiro.
Chegando em casa, fez
uma busca no orkut. Rapidamente encontrou-a na comunidade da Paróquia. Passaram
a trocar recados diários. Tornaram-se amigos no MSN. Falavam-se por horas via
computador. Marcaram de pegar um cinema domingo à noite. O encontro foi um
pouco frio no início, mas a impressão foi boa para todos os lados.
Marcaram um novo
encontro para a terça. Marcos estava inseguro. Quando foi conversar francamente
sobre o que sentia, simplesmente travou. Deixou Patricia em casa. Não conseguia
dormir. No dia seguinte foi tomar uma cerveja com um amigo, Zeca. Falou de
Patricia. Não conseguia falar de outro assunto.
Um fato chamou a
atenção. Estava acontecendo um aniversário no bar. Os dois logo repararam em
uma mulher que andava para todos os lados. Essa mesma mulher começou a rodear a
mesa dos dois. Ela dizia apenas gemidos sem nenhum significado. Os dois já
estavam se irritando quando de repente, a mulher deu um soco na mesa e olhou
fixamente nos olhos de Marcos.
- Very happy, good luck e love.
Assustados, pediram a
conta.
- Meu amigo, isso foi um
sinal. Convide-a para sair e fale com ela. Os anjos estão do seu lado – disse Zeca.
E assim foi feito.
Marcos ligou para a Patricia e combinaram uma saída na sexta. Após alguns
minutos de insegurança, Marcos tomou coragem e abriu seu coração. Patrícia
respondeu com um beijo longo. Os dois estão juntos há dois meses. Mas parece
que se conhecem há anos.
Já há quem fale em casamento. Em um
jantar da família, uma tia de Patricia, Laurinda, falou que o casamento dos
dois era questão de tempo. Nesse mesmo dia, saíram para dar uma volta e
sentaram em um banquinho em uma praça. Em frente, havia uma loja de aluguel e
vendas de roupas para casamentos ...
*
Jornalista
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