Princesa Clarice
* Por
Eduardo Oliveira Freire
“Escrever
a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que
me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo.”
―Machado
de Assis
Quando vi Serafim
através da janela do salão, resolvi ceder às investidas do mestre cavaleiro.
Queria a liberdade e não uma imagem de virtude.
Ninguém sabe o caos que
cresce dentro de mim. Em sonhos vejo-me uma grande-felina-alada e, quando
acordei, estava com passarinho na boca. O sangue da frágil criatura escorrendo
em meu rosto deixava-me viva.
Ser guardiã do cristal
do poder eterno é um fardo, que não quero mais carregar. Pronto, Serafim foi
embora decepcionado. Agora, estou liberta da imagem santificada que me irrita
tanto.
Quando vier a
madrugada, o mestre dos cavaleiros me levará para caçar. Estou tão ansiosa.
Sinto que sempre fui uma caçadora. Mas não é um desejo frívolo. É uma fome que
ultrapassa minha alma.
* Formado em Ciências Sociais, especialização
em Jornalismo cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
Dramático, trágico, belo e libertador. Completo. Gostei muito, Eduardo.
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