Os governos e a corrupção
* Por
Clóvis Campêlo
A estrutura de poder
paralelo da corrupção existe há muito no Brasil, contaminando e ultrapassando
vários governos de diversos “credos” políticos e ideológicos. Na
interessantíssima entrevista com o economista norte-americano Werner Baer, PhD
em Economia e professor da Universidade de Illinois, publicada no Jornal do
Commercio do Recife, do dia 23 de agosto próximo passado, citando o escritor
Marcos Mendes, ele afirma textualmente o seguinte: “Você tem uma democracia e,
para ser reeleito, tem que ceder, mais cedo ou mais tarde. Tem que fazer muitas
despesas, que são gastos correntes, simplesmente para obter uma aliança para
governar. O resultado é que fica pouco dinheiro para fazer investimentos. Então
esse é o dilema em geral que os governos brasileiros nos últimos anos estão
enfrentando”. Nesse sentido, amigos, o uso competente e inteligente do caixa
dois, resolve o dilema acima citado.
A grande questão,
porém, é que essa utilização sistemática e constante deixa pairando no ar um
cheiro de impunidade e onipotência, além da constatação de que a sobrevivência
política, realmente, necessita da contravenção para existir e se manter.
Quem acreditava, por
exemplo, que o ex-governador Eduardo Campos estaria imune a esse tipo de
atitude, surpreendeu-se ao ver o seu nome na lista dos comedores de propina da
Petrobras. Esqueceram-se, porém, que ele, antes, como Secretário Estadual da
Fazenda do último governo Arraes, havia se envolvido na história dos precatórios,
desgastando a imagem do avô e levando-o a amargar uma derrota humilhante na
disputa pelo governo do Estado. Dudu, inclusive morreu viajando em um avião
doado irregularmente para a sua campanha, caracterizando mais um ato de caixa
dois. Portanto, fazer uso inescrupuloso desse artifício e negar veementemente
esse uso, sempre fez parte do arsenal de mentiras oficiais dos nossos políticos
de plantão. Nesse sentido, realmente, são todos farinha do mesmo saco.
Mas, deixando de lado o
aspecto puramente moral da história da corrupção, dos corruptores e dos
corrompidos, ao longo dos anos, tem sido com base na prática política do “é
dando que se recebe” que temos evoluído política e administrativamente. Quem
seria louco de tentar governar, por exemplo, sem lotear a máquina estatal entre
os partidos aliados, principalmente quando não se tem a maioria necessária no
Congresso Nacional? Ninguém! Loteia-se, entregam-se ministérios, criam-se
outros para isso e se perde o controle do que ocorrerá dali para a frente. A
sujeira e a malandragem dos aliados sempre respingará no comando do governo,
favorecendo as análises mais depreciativas e tendenciosas que a mídia
comprometida com a falta de verdade sempre gosta de elaborar. Na luta cega pelo
poder, aliás, sobra muito pouco espaço para a honestidade e a pureza de
propósitos.
De qualquer maneira,
acredito que o Brasil tenha mudado e muito avançado em questões que garantem
direitos essenciais à sua população, notadamente às camadas menos favorecidas.
O que não se pode mais é regredir e cortar os direitos conquistados em
detrimento dos que sempre mamaram nas tetas do poder.
*
Poeta, jornalista e radialista, blogs:
Ah, um tema que nos é muito caro, especialmente no sentido literal.
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