Guantanamo
* Por
Emanuel Medeiros Vieira
Guantánamo não é um retrato na parede
Guantánamo fede
Guantánamo não acaba
E ninguém mais se lembra de Guantánamo
As pessoas foram torturadas, morrem esquecidas.
Os “outros” são sempre os perversos.
E Guantánamo sobrevive.
Sim, não é um retrato na parede.
A “América profunda” não quer que a prisão acabe.
As pessoas mofam e morrem sem julgamento ou
processo.
Não, não falo em impunidade – falo em justiça
E justiça não é vingança.
Mas Guantánamo não morre
Mas cheira mal, mesmo no esquecimento
Guantánamo é “aqui” também:
Na indiferença, no “não tenho nada a ver com isso”.
E Guantánamo vive,
E só me restam palavras, lugares-comuns
(e a contemplação do mar)
Ah, Guantánamo
*
Romancista, contista, novelista e poeta catarinense, residente em Brasília,
autor de livros como “Olhos azuis – ao sul do efêmero”, “Cerrado desterro”,
“Meus mortos caminham comigo nos domingos de verão”, “Metônia” e “O homem que
não amava simpósios”, entre outros.
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