Só
* Por
Rodrigo Ramazzini
Sinto-me só.
Não há nada mais triste
do que sentir-se só.
Os dias parecem sempre
bucólicos e cinzentos, apesar do sol estar encantadoramente brilhando lá fora.
E nem a presença de uma
multidão é capaz de preencher o espaço reservado na minha alma a uma única
pessoa. Sempre falta algo...
Só.
A escuridão do meu
quarto quando me deito reproduz o vazio existente no meu coração. E o aconchego
falso do travesseiro acaba instigando o sentimento de solidão.
E os dias de frio são
torturantes. Os de chuva deprimentes...
E o olhar fica vago buscando
uma resposta no horizonte. Ou cabisbaixo sem qualquer brilho...
Só.
Vou aos lugares e fico
observando o tom apaixonado dos casais e as suas juras de amor eterno. Inevitavelmente,
pergunto-me: e por que não eu também? Qual o problema em mim?
E a autoestima encosta
no fundo do profundo poço.
E o espelho torna-se um
inimigo íntimo...
Só.
O que não me deixa
cortejar a loucura é a esperança. Semeio a ideia: a pessoa certa chegará na
hora certa. Só que o tempo passa e nada. Tenho o estranho dom de mentir para
mim mesmo!
Quando chegará a minha
vez? Tenho fé e rezo diariamente.
Enquanto aguardo a
chegada da pessoa certa, para apaziguar o sentimento de carência e sentir-me
vivo, recorro a relacionamentos mal resolvidos do passado ou sem qualquer
possibilidade de futuro, mesmo sabendo que assim estou alimentando o errado.
Só.
Todas as letras de
música que falam de solidão parecem que foram inspiradas em minha história.
E, discretamente, emociono-me
com o casal perfeito que se forma na propaganda de margarina na televisão. “Eu
seria bem assim para ela. Cadê ela?”, penso.
Só.
Só eu sei a falta que
me faz uma mão para entrelaçar os dedos.
De um rosto para
acariciar.
De um ouvido para me
escutar.
De uma boca para
beijar.
De um ombro para
chorar.
Só.
Na era exibicionista
das redes sociais, enceno um sorriso alegre nas exposições fotográficas e a
cada demonstração de apreciação procuro insanamente uma pretendente.
Só.
É um telefone que não
toca...
Uma mensagem que não
chega...
Um filme sem final
feliz...
Um choro que não
ressoa...
Por quê?
Até quando?
Só. Paradoxalmente, só.
E
tudo que eu busco é só um amor. Só um amor...
Foto:
obviousmag.org
* Jornalista e contista gaúcho
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