O boi Barroso
* Por
João Simões Lopes Neto
Meu boi barroso,
Que eu já contava perdido,
Deixando o rastro na areia
Foi logo reconhecido.
Montei no cavalo escuro
E trabalhei logo de espora
E gritei — aperta, gente,
Que o meu boi se vai embora!
No cruzar uma picada,
Meu cavalo relinchou,
Dei de rédea p´ra esquerda,
E o meu boi me atropelou!
Nos tentos levava um laço
Com vinte e cinco rodilhas,
P´ra laçar o boi barroso
Lá no alto das coxilhas!
Mas no mato carrasquento
Onde o boi ´stava embretado,
Não quis usar o meu laço,
P´ra não vê-lo retalhado.
E mandei fazer o laço
Da casaca do jacaré,
P´ra laçar meu boi barroso
No redomão pangaré.
Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga,
P´ra laçar meu boi barroso
No remomão pangaré.
Eu mandei fazer um laço
Do couro da jacutinga,
P´ra laçar meu boi barroso
Lá no paço da restinga.
E mandei fazer um laço
Do couro da capivara,
P´ra laçar meu boi barroso
E lacei de mia cara.
Pois era um laço de sorte,
Que quebrou do boi a balda
Quando fui cerrar o laço,
Só peguei de meia espalda!
* Escritor
e empresário, considerado o maior autor regionalista gaúcho
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