Sobre as minhas
frustrações românticas
* Por
Gustavo do Carmo
Leio no jornal ou em
algum site de fofocas: “Atriz Fulana de Tal termina namoro de seis meses e diz
que está livre na pista”. Nem dá tempo de sonhar. Na semana seguinte já vejo
nova notícia desagradável: “Fulana de Tal assume relacionamento com
empresário”.
Tem outra pior: “Modelo
Beltrana está grávida de três meses”. Se eu fosse uma pessoa fraca eu ficaria
uma semana em depressão. Como eu sou forte, fico apenas algumas horas. Mas
passo a evitar qualquer notícia sobre essa “celebridade” grávida. Quando passa
um tempo, já me imagino cuidando deste filho. Mas aí logo descubro que a tal
apresentadora está grávida de novo. Aí perco as esperanças.
Quando descubro uma
nova celebridade ou jornalista (que não deixa de ser celebridade), logo
descubro que ela já é casada, tem noivo ou namorado, pois faz questão de falar
dele e ainda exibi-lo. Torço para terminar, mas aí acontece o que eu falei no
primeiro parágrafo.
A minha consolação é pensar que eu nunca serei capaz
de namorar uma celebridade com a vidinha simples que eu tenho. Sou muito
antissocial, confesso. Odeio boate, odeio sair à noite e odeio multidão. Além
disso, os cônjugues, quando não são colegas de trabalho, na maioria, são empresários,
dentistas, médicos, músicos, atores bem-sucedidos. Sempre ricos, claro. Eu, que
ainda sonho em fazer sucesso como escritor, fico sempre sonhando.
Antes que me critiquem
por só querer namorar celebridades, estas frustrações que eu estou descrevendo
também acontecem com mulheres conhecidas pessoalmente. Primas, cunhadas, “amigas”
da internet e colegas de cursos e faculdades (que eu já nem quero mais fazer)
têm sempre um namorado, marido, noivo ou amante. Quando termina ou se separa, logo arruma outro.
E se eu fico confiante que vai terminar ou se separar, engravida. E se eu me
conformo em criar o seu filho, engravida de novo. De uma criança que não é
minha eu até cuido. De duas jamais.
O primeiro sentimento
de decepção com o meu otimismo romântico tive há uns 17 anos, com uma colega do
primeiro período de faculdade. Fantasiei com ela me acompanhando no aniversário
de 15 anos de uma prima (hoje casada e com dois filhos) em São Paulo e, depois,
numa visita dominical à casa dos meus tios, avós dela, em Ipanema. No dia
seguinte a esta visita, descobri que ela passou um final de semana romântico
com o namorado no Maracanã e depois num barzinho em Vila Isabel. Fui ao fundo
do poço.
Desde então, continuo
fantasiando o meu relacionamento com determinadas mulheres, famosas ou não,
incluindo a família delas (a convivência, claro). Enquanto isso, elas estão
vivendo a mesma relação que eu desejo para mim, só que de verdade.
Quando eu entrei na
minha última pós-graduação de telejornalismo, além da intenção de fazer novos
amigos e conseguir um pistolão para ser escritor ou mesmo jornalista (não
consegui nada), pretendia conhecer alguma moça para ter um romance. Uma era
casada, outra noiva, outra se gabava de namorar um diretor da Globo e a maioria
tinha namorados. As que não tinham eram feias e gordas, o que não me interessa.
E se bobear, as feias deviam ter namorados também. Na primeira pós que eu fiz, de Gestão da
Cultura, a maioria das colegas já era formada de senhora. As mais novas já eram
casadas.
Enfim, com tantas frustrações
com mulheres, prefiro ficar sozinho.
Quando tentei mudar meu jeito de ser fiz papel de ridículo.
Pra mim, a vida da
mulher é assim: vai à boate, conversa
com um rapaz, beija na boca, vai ao motel, tira a roupa, faz sexo, engravida,
se casa e põe aliança no dedo. Exibe ela e o filho como troféus. Os paqueradores ingênuos que se danem.
* Jornalista e publicitário de formação e escritor
de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São
Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos” pela Editora
Multifoco/Selo Redondezas - RJ. Seu
blog, “Tudo cultural” - www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
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