Jesus 2
* Por José Calvino
(continuação)
Ele nasceu pobre, viveu no meio do povo, propôs aos homens se amarem
como irmãos e paz para todas as pessoas (No Brasil, enquanto o governo não
investir em saúde e educação, não haverá paz.). Como assim? Para entenderem
melhor, Ele disse: “Por serem todos filhos do mesmo pai.” Alguns seguiram-no,
muitos se colocaram contra e foram a favor do império romano. A polícia era
assumida diretamente pelo Comandante do Templo, sob as ordens do Grande
Sacerdote. Essa mesma polícia o levou a ser crucificado (Mc 14:43-50 – Mt
26:47). Mas, a igreja convenceu milhões de pessoas a acreditarem que ele
ressuscitou. Pra mim isso é conversa pra boi dormir (Vide Mt 10:8).
Até hoje muitos religiosos acreditam que Jesus está vivo (Vide Será o
Fim do Mundo? – p.). Tenho certeza que alguns leitores estão perguntando: “Como
vivia o povo?”; “Quem se relacionava com ele?”; “Quem estava no poder?”; “Havia
religião?”,et cétera, (Vide Sobre cristologia, pp.).
A Palestina era um país essencialmente agrícola e sua economia,
sobretudo era mais voltada à agricultura (Vide Mc 2: 23 – 4: 1-19 – 4: 30-32).
Ah, e Jesus Cristo, que fez a água virar vinho (Vide João 2: 9) , na pecuária
(Vide Mt 9:35-38 – 25:31-32), na pesca (O peixe era alimentação popular), no
artesanato (Vide João 12:3), barcas e redes. Não havia indústrias como hoje,
mas sim muitos artesãos autônomos (Vide Mc 1: 16-20 – Mt 13:47 – Lc 5:1-7 – Lc
9:62) e tanques para espremer uvas ou azeite (Vide Mt 9:37). Certas obras
públicas, como a nova construção do templo de Jerusalém no tempo de Jesus
reuniam vários operários (Vide João 2:20).
Os produtos circulavam com muitas dificuldades para o comércio. A
Palestina não era uma região diretamente marítima e as demais eram montanhosas.
Apesar disso, nas aldeias trocava-se um produto por outro. Existiam feiras
livres nas cidades, principalmente nas maiores como a Galiléia, onde se
desenvolvia um certo comércio internacional; para isso se usavam várias moedas
de diversos países (Vide Lc 15: 8 – 20: 24).
Nos povoados os impostos eram de diversos tipos. Para os romanos se
cobrava ¼ das colheitas, logo vendidas e trocadas em moeda. O pedágio era sobre
transporte de mercadorias, taxas de alfândega... Grandes somas partiam de
Jerusalém para Roma. Em Roma, uma categoria se beneficiava às custas das
províncias coloniais com a Palestina. O povo tinha apenas o suficiente para
sobreviver e com tantos impostos a pagar, a miséria se tornava ainda mais
pesada para muitos sem condições de satisfazer suas necessidades mais vitais. A
cobrança se fazia através de funcionários chamados Publicanos que atuavam em
todos os níveis (Vide Mt 9: 9-13 – Lc 18: 11).
Os responsáveis pelas cobranças ficavam com suas comissões e os furtos
eram freqüentes, principalmente em altos escalões, e praticamente sem controle.
A corrupção era grande e isso tudo levou o povo a desprezar e marginalizar toda
a categoria dos publicanos (Vide Lc 16: 6-7).
O Templo era o centro do poder econômico e onde todos os impostos eram
centralizados. Uma verdadeira fonte de empregos: vendedores de bois, ovelhas e
pombas, com diversos cambistas explorando o público ( Vide João 2:
13-20).Então, quando Jesus falava do templo a ser destruído, ameaçava a
estrutura econômica na sua base, tendo sido esse um dos motivos de sua
condenação ( Vide Mt 26:61).
A situação econômica de Jesus era semelhante à do povo da Galiléia, por
fazer parte da vida econômica dos camponeses, pescadores e das donas de casa.
Os pescadores, sobretudo, eram seus discípulos, o Peixe também era o desenho
usado pelos primeiros cristãos como forma de se identificarem numa época em que
se declarar seguidor de Jesus significava ser devorado por leões. O desenho do
peixe tinha uma mensagem mais cifrada em grego, escreve-se ikhtys. A realidade
dos desempregados mostra como se relacionam os ricos proprietários. Assim Jesus
mostra que conhece perfeitamente a situação econômica da classe trabalhadora
explorada (Vide Mt 18: 23-34 – 13: 54-55).
O povo ia ao encontro de Jesus, à beira mar ou em qualquer lugar onde
ele estivesse (Vide Mc 3:8 – Lc 6:6-11). O Novo Testamento usa diversas vezes
as palavras Povo e Multidão. Isso mostra o quanto Jesus se identificava com o
povo. Jesus foi criticado por sua intimidade no contato com os marginalizados.
Os Fariseus diziam: “Por que ele come com os pecadores?” E quando faziam esta
pergunta Jesus respondia: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas
sim os doentes.” (Vide Mc 2:15-17 – Mt 9: 11-12).
Jesus sempre manifestou seu afeto para com as crianças (Vide Mt 11:
16-17 – Mc 10: 14).
Mulheres e crianças eram excluídas da vida social, igualmente aos
deficientes visual, auditivo, mentais e escravos (Vide Lc 17: 14).Ele ficava
aborrecido de ver o povo disperso, perdido, explorado e desorganizado ( Mt 17:
24-27).
Jesus quebra os tabus: Fala a sós com uma mulher Samaritana (Vide João
4: 27).
Jesus se faz acompanhar por um grupo de mulheres junto com os discípulos
(Vide Lc 8:1-3). Elas, sozinhas, estão presentes em Seu Calvário (Vide Mc 15:
40-41) e serão as primeiras testemunhas da ressurreição. Naquele tempo o
testemunho de uma mulher não valia nada, pesa na boa fé a veracidade do
acontecimento (Vide Lc 24: 1-11).
(...)
Peço licença agora aos leitores para esse lembrete: História do dinheiro
da então República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1942 foi lançada no Brasil
a nota de Cr$ 10,00 (dez cruzeiros), que trazia em destaque a imagem do
caudilho gaúcho Getúlio Vargas.
-> Dinheiro do Brasil: várias mudanças de nomes e valores no decorrer
da história. .
Jesus reconhece que os impostos exigidos por estrangeiros são
demonstração de abuso e injustiça (Vide Mt 17: 24-27)!
Devemos pagar imposto a César ou não? Os Fariseus fizeram essa pergunta
a Jesus, com intenção de provocá-lo. Claro, as vozes da administração
estrangeira seguiam pressionando por todos os meios. Para isso, Jesus muito
perspicazmente pediu aos Fariseus uma moeda e perguntou: “De quem é a imagem e
a inscrição da moeda?”- “de César”, responderam-lhe. Era uma imagem proibida
aos judeus. Um deles, retirando do seu bolso uma tal moeda, estava em
contradição com a Lei que pretendia defender.
Jesus então, com certa ironia disse: “Pois bem, devolvam a César o que é
de César.” (Vide Lc 20: 20-26). Será que não poderia Jesus dizer também:
“Devolvam ao povo o que é dele?”
Jesus adotou uma atitude crítica em relação aos abusos do poder pela
classe dominante (Mc 12: 1-12). A critica de Jesus se dirige então aos
responsáveis pela nação judia: “O dono da plantação destruirá os vinhateiros e
dará a vinha a outros.”
A autoridade de Jesus como um ser social era baseada na confiança que o
povo lhe tinha, e por isso a classe dominante tinha medo de mexer com ele.
Jesus fez com que esse povo, com seus líderes, se organizassem e resolvessem
seus problemas (Vide Mc 15: 6-15 – Mc 6: 33-44).
Jesus morreu por dois motivos:
1 – Religioso: Foi acusado de blasfêmia porque, sendo homem, se fez
igual a Deus, e assim tirava dos Sacerdotes a última palavra sobre a Religião;
2 – Político: Jesus caiu numa armadilha. O sinédrio queria acabar com
ele, porque se sentia ameaçado em sua autoridade. Por outro lado, os zelotes
queriam uma mudança política imediata. Apesar de não concordar com os zelotes,
o sinédrio conseguiu jogar o povo contra Jesus na hora da Paixão. Pode ser que
por isso Barrabás, o zelote, preso por sua ação terrorista, apareceu ao povo
como tendo mais condições que Jesus para encabeçar uma libertação nacionalista
(Vide Mc 15: 6-15. Idem, Sobre cristologia, p.).
Cito agora algumas parábolas contadas por Jesus: As Casas (Vide Mt 7:
24-29) “ Quem ouve estas minhas palavras e as obedece é comparado a um homem
inteligente que construiu a sua casa sobre a rocha. Choveu, houve enchentes com
ventania e ela não caiu porque foi construída sobre a rocha. Quem não obedece é
como um homem ignorante que construiu a sua casa sobre a areia. Choveu, houve
enchentes com ventania e ela caiu, sendo grande a sua destruição.”
Quando Jesus acabou de falar, as multidões estavam admiradas com os seus
ensinamentos. Porque ele ensinava com autoridade e não como os professores da
Lei.
Termino este trabalho com a primeira Epístola de João 4: 20-21:
“Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois
aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
Ora, temos da parte dele este mandamento, que aquele que ama a Deus, ame
também a seu irmão.”
Nota – O livro será editado. Está faltando patrocínio. Quem se habilita?
* Escritor, poeta e teatrólogo. Blog Fiteiro
Cultural - http://josecalvino.blogspot.com/
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