Nunca serei vencida
* Por
Marguerite Yourcenar
Nunca serei vencida.
Não o serei
senão à força de vencer.
Cada armadilha estendida
fechando-me cada vez mais
no amor
que acabará por ser o meu
túmulo,
acabarei a minha vida
numa cela
de vitórias.
Sozinha,
a derrota encontra
chaves,
abre portas.
A morte,
para atingir o fugitivo,
tem de se pôr em
movimento,
perder essa fixidez
que nos faz reconhecer
que ela é o duro
contrário
da vida.
Ela dá-nos o fim do cisne
atingido em pleno voo,
de Aquiles agarrado pelos
cabelos
por não sabermos que
sombria Razão.
Como a mulher asfixiada
no vestíbulo
da sua casa de Pompeia,
a morte não faz mais do
que prolongar
no outro mundo os
corredores
da fuga.
A minha morte será
de pedra.
Conheço as passagens,
as curvas,
as armadilhas,
todas as minas da
Fatalidade.
Não posso perder-me.
A morte,
para me matar,
terá necessidade da minha
cumplicidade.
* Pseudônimo da escritora e poetisa belga
Marguerite Cleenewserck de Crayencour
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