Um conto moderninho
* Por
Evelyne Furtado
Bea tinha uns quilinhos a mais. Felipe usava óculos
de grau. Bea e Felipe se davam muito bem. Falavam horas sobre músicas, filmes e
livros. Até faziam poesia.Diria mesmo que se amavam. Com lentes grossas e
abraços quentinhos.
Bea resistiu, mas só um pouquinho. Afinal, Maurício, segundo as amigas, era o
maior gatinho. Felipe prendeu o choro. Amarrou o bode. Quis se matar, explodir
o mundo.
- A culpa é do capital! - berrava Felipe no quarto, escondidinho, até que mamãe lhe falou na cirurgia. E Felipe
se despediu da miopia.
Seus lindos olhos foram vistos por Maria, menina antenada, autora de um blog de sucesso onde falava de moda para outras meninas. Felipe, que nunca pensou em agradar alguém como Maria, viu-se aninhado entre pulseiras, maquiagem, icones fashion, e coisa e tal.
Envaidecido Felipe casou com Maria. Bea casou com Mauricinho. Uns passaram a
lua de mel em Paris, outros moram no Vale do Silício. Tiveram filhos e
prosperaram. Multiplicaram talento e beleza, carros, jóias e mais
quinquilharias que só aumentam para preencher um tal vazio.
Antes de dormir dá uma tristeza em Bea ao lembrar dos tempos em que namorava
Felipe, que na Califórnia sente arrepios ao lembrar do seu abraço quentinho.
*
Poetisa e cronista de Natal/RN
Os encontros e desencontros podem fazer a história correr numa rota ou exatamente numa outra. Ruim é quando a história vem sem intriga e sem enredo.
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