O homem certo
* Por Roberto Corrêa
Revendo alguns textos escritos há mais de dez anos,
não publicados não sei bem por quê, resolvo fazê-lo agora, pois, modéstia a
parte, acho que são oportunos , enquadrando-se no processo educacional ainda
tão carente em que nos encontramos. “Admirável, organizada e perfeita seria a
sociedade que seguisse à risca o sábio provérbio inglês the right man, in
the right place (o homem
certo no lugar certo).
As tristes conjunturas notadas no país decorrem
inquestionavelmente: homens incompetentes, errados (wrong men), despreparados,
executam mal as tarefas que lhes foram ou são confiadas. Encontrar o homem
certo e aonde, eis a questão. Nós próprios criamos barreiras, regras ou
empecilhos, completamente desvinculados da realidade.
É fácil exemplificar: por que o cidadão deve se
aposentar aos 60,65,70,75 se se encontra capacitado para continuar com as
tarefas que vinha exercendo ou executando? Mero formalismo, escudado em pseudas
ciências e em princípios de merchandising explorativos da força juvenil ou da
degenerescência dos idosos. O relativismo é inconteste, pois há idosos
saudáveis, impregnados de insuperável experiência e jovens doentios, obsoletos
e despreparados.
O emprego de tais métodos possibilita, com maior
facilidade, colocar o indivíduo errado, para executar tarefas importantes que
competiriam ao homem certo. Acreditamos que a solução para tal erro –
não absoluta, mas parcial –, exigiria reforma da Constituição (emenda
constitucional), para nela se inserir, em termos iguais ou semelhantes, o
seguinte mandamento: todo cidadão- vedado qualquer limite de idade máxima-,
poderá exercer sem restrições, atividades para os quais se considere apto e
desde que não tenha impedimentos físicos ou mentais incontornáveis.
Complementando o tema, resta dizer, numa linguagem
da moda: os idosos marcaram bobeira. Oriundos de geração repressiva e
autoritária, os homens da chamada terceira idade cometeram- provavelmente sem
pensar-, a imprudência de criarem filhos em regime de plena liberdade e
democracia. Hoje amargam problemas, inclusive ínfimas aposentadorias,
esquecidos de que foram os grandes responsáveis por tal situação. Erraram
quando, extemporaneamente, abdicaram das suas prerrogativas de chefes,
dirigentes, superiores e deixaram de fixar normas, direitos, confiando o
encargo aos filhos, netos, companheiros. Passaram a ser mandados quando
deveriam mandar. Cometeram insanável erro que, esperamos não o cometam as
gerações futuras.
Conclusão: se a competência dos homens certos não
se encontrasse ausente, as dificuldades para o progresso ou desenvolvimento
seriam mínimas ou inexistentes..
* Roberto Corrêa é
sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo, da Academia Campineira de Letras
e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico, de Campinas, e de
clubes cívicos e culturais, também de Campinas. Formou-se pela Faculdade
Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Fez
pós-graduação em Direito Civil pela USP e se aposentou como Procurador do
Estado. É autor de alguns livros, entre eles "Caminhos da Paz",
"Direito Poético", "Vencendo Obstáculos", "Subjugar a
Violência”, Breve Catálogo de Cultura e Curiosidades, O Homem Só.
Nenhum comentário:
Postar um comentário