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Motivos para correr
**Por Fabiana Bórgia
Posso dizer que "saí da gaveta". Utilizo esta expressão como metáfora aos poemas ou textos que deixam a gaveta, o arquivo secreto do escritor, e são publicados. O mesmo aconteceu comigo em relação à corrida. Eu pensava: "Um dia vou correr." Até que descobri que "um dia" é tempo demais. "Um dia" nunca chega. Então decidi correr. Hoje. Agora. Já.
Sedentarismo não combina com o tipo de pessoa que sou e nem com o tipo de pessoa que eu poderia vir a ser, se não ousasse mudar. Precisava dosar minha ansiedade e impulsividade. Sentir mais disposição. Menos preguiça. Mais vontade de acertar. Menos medo de fracassar.
Precisava de equilíbrio, força e disciplina. Precisava reinventar o meu mundo. Rever escolhas e hábitos passados. Recriar minhas opções. Vivenciar o presente. Pensar no futuro. Inovar. Correr.
Agora entendo porque demorei tanto. Não tinha critério. O resultado não poderia ser outro: desânimo, cansaço físico, fadiga mental, dores nas articulações, dor no baço, fôlego precário. Achava que a corrida não era para mim. Hoje sei que a corrida é o esporte mais democrático que tem. A corrida é para todos.
A corrida ensina que superar os desafios é extremamente estimulante. Ensina que vence aquele que ultrapassa os momentos de dúvidas, incertezas, perdas, dor e privações. A corrida ensina a persistir nas lutas diárias, a ser humilde perante os obstáculos que nos são impostos. Ensina que o planejamento é o método infalível para quaisquer aspectos de nossas vidas: aquele que planta e rega necessariamente vai colher. Aquele que treina consegue correr.
Quem nunca se sentiu incapaz? Quem nunca quis desistir? Quem nunca ficou vulnerável? Podemos ser nossos melhores amigos ou piores inimigos. A limitação é um monstro que criamos dentro de nós. Vencer este monstro exige coragem. Encontrei na corrida as respostas para viver melhor e um universo de possibilidades.
Viver é mais simples do que supomos. Como disse Helen Keller٭, “Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar.” Correndo, podemos voar. E sem asas.
٭Escritora, filósofa e ativista social norte-americana. Apesar de ter ficado cega e surda em tenra idade, tornou-se uma das mais notáveis personalidades do século XX, pelo grandioso trabalho que desenvolveu em prol das pessoas portadoras de deficiência (1880-1968).
• Escritora por vocação e advogada por formação. Paulista por natureza e carioca por estado de espírito. Engenheira de sonhos: alguém em eterna construção. Autora do livro “Traços de Personalidade”
**Por Fabiana Bórgia
Posso dizer que "saí da gaveta". Utilizo esta expressão como metáfora aos poemas ou textos que deixam a gaveta, o arquivo secreto do escritor, e são publicados. O mesmo aconteceu comigo em relação à corrida. Eu pensava: "Um dia vou correr." Até que descobri que "um dia" é tempo demais. "Um dia" nunca chega. Então decidi correr. Hoje. Agora. Já.
Sedentarismo não combina com o tipo de pessoa que sou e nem com o tipo de pessoa que eu poderia vir a ser, se não ousasse mudar. Precisava dosar minha ansiedade e impulsividade. Sentir mais disposição. Menos preguiça. Mais vontade de acertar. Menos medo de fracassar.
Precisava de equilíbrio, força e disciplina. Precisava reinventar o meu mundo. Rever escolhas e hábitos passados. Recriar minhas opções. Vivenciar o presente. Pensar no futuro. Inovar. Correr.
Agora entendo porque demorei tanto. Não tinha critério. O resultado não poderia ser outro: desânimo, cansaço físico, fadiga mental, dores nas articulações, dor no baço, fôlego precário. Achava que a corrida não era para mim. Hoje sei que a corrida é o esporte mais democrático que tem. A corrida é para todos.
A corrida ensina que superar os desafios é extremamente estimulante. Ensina que vence aquele que ultrapassa os momentos de dúvidas, incertezas, perdas, dor e privações. A corrida ensina a persistir nas lutas diárias, a ser humilde perante os obstáculos que nos são impostos. Ensina que o planejamento é o método infalível para quaisquer aspectos de nossas vidas: aquele que planta e rega necessariamente vai colher. Aquele que treina consegue correr.
Quem nunca se sentiu incapaz? Quem nunca quis desistir? Quem nunca ficou vulnerável? Podemos ser nossos melhores amigos ou piores inimigos. A limitação é um monstro que criamos dentro de nós. Vencer este monstro exige coragem. Encontrei na corrida as respostas para viver melhor e um universo de possibilidades.
Viver é mais simples do que supomos. Como disse Helen Keller٭, “Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar.” Correndo, podemos voar. E sem asas.
٭Escritora, filósofa e ativista social norte-americana. Apesar de ter ficado cega e surda em tenra idade, tornou-se uma das mais notáveis personalidades do século XX, pelo grandioso trabalho que desenvolveu em prol das pessoas portadoras de deficiência (1880-1968).
• Escritora por vocação e advogada por formação. Paulista por natureza e carioca por estado de espírito. Engenheira de sonhos: alguém em eterna construção. Autora do livro “Traços de Personalidade”
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