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Beleza imprestável
* Por Celamar Maione
Ele realmente era bonito. Um moreno para mulher nenhuma botar defeito. Nem homem. Tinha olhos cor de mel, cabelos pretos e ondulados. A pele de um bronzeado invejável. Corpo esculpido em academia. No frescor de seus 25 anos, conquistava qualquer mulher. Os amigos já sabiam da fama de Olavo e adoravam sair com ele:
- Com o Olavo é bom sair para azarar. Se tiver duas mulheres, ele conquista uma e a sobra acaba ficando para a gente.
E assim iam correndo os dias. Olavo era um verdadeiro colecionador de namoradas. Cada mês estava com uma namoradinha nova. As mulheres não davam sossego ao rapaz.
Até que apareceu Ritinha na vida do conquistador. Ela era amiga de faculdade da irmã mais nova de Olavo. Uma menina sem graça. Tinha 18 anos, óculos fundo de garrafa com direito a aparelho nos dentes. Ainda por cima era branca como a necessidade. Mas sabe-se lá que tal, Olavo sentia uma atração diferente por Ritinha. Era na vida, a primeira vez que uma mulher mexia com ele.
.
Passou a querer saber mais sobre a moça. Costumava crivar a irmã de perguntas:
- E aí Gilda, quando é que a Ritinha vem estudar aqui em casa novamente? Ela tem namorado? Tem telefone? É filha única?
A irmã, conhecedora da fama de Olavo, estranhava tantas perguntas:
-Eu hein Olavo... o que você quer com a minha amiga? Ela não tem nada que chame a atenção e eu sei que você só gosta de mulher bonita. Deixa a minha amiga em paz. Não quero que você faça a Ritinha sofrer.
Até que Olavo tentava. Mas estava difícil. Quando a moça ia estudar na casa dele, Olavo sempre arrumava um jeito de ficar por perto, só para admirar Ritinha. Ele sentia que pela primeira vez estava se apaixonando de verdade.
Resolveu abrir seu coração com o melhor amigo:
- Alfredo....estou apaixonado. É a primeira vez que isso acontece na minha vida.
- Não diga. E quem é a felizarda dessa vez? A Sílvia?
- Que Silvia o quê... é uma amiga de faculdade da minha irmã.
- Deve ser o maior avião.
- Que avião nada. É moça simples. Sem nenhum atrativo.
- Essa eu não entendi...
Quando Olavo soube que Ritinha ia estudar com a irmã, convidou o amigo para conhecer sua paixão. Quando Alfredo viu a moça, chamou o amigo para o quarto:
- Olavo...você está cego? Essa moça não tem nada que chame a atenção.
- E daí? Dizem que paixão não tem explicação e eu estou apaixonado. O pior é que já falei com a minha irmã e ela não acredita.
O amigo deu um sorriso irônico:
- Nem eu.
Mas a verdade nua e crua era que Ritinha não saia da cabeça do jovem. Ele deixou até de sair com outras garotas. É que quando beijava outra, pensava em Ritinha. A jovem passou a virar verdadeira obsessão na vida de Olavo. Era noite e dia com Ritinha na cabeça.
Resolveu enfrentar a irmã e disse que chamaria a jovem para sair. A irmã sorriu:
- Essa aí ? Nem adianta...
- E posso saber o motivo? Ela é não gosta de homem? Fez voto de castidade? É casada?
- Ela gosta de homem e muito até . Mas já me disse que só gosta de homem feio. Ela me falou que homem bonito dá muito trabalho.
Olavo achou que isso não seria problema. Pegou o telefone da jovem com a irmã e ligou para ela. Convidou Ritinha para sair. A jovem não aceitou. Ele pensou que ela estivesse se fazendo de gostosa. Mas Ritinha era mesmo osso duro de roer. Tentou durante três meses sair com a jovem. E nada. Pediu que a irmã interferisse. Nada. Até que um dia , quando a moça estudava com Gilda, Olavo resolveu mais uma vez investir:
- Vamos sair Ritinha....eu estou apaixonado. É verdade. Juro.
- Mas eu não estou apaixonada por você. Gosto de outro homem. Já disse: homem bonito não tem a menor chance comigo.
Um mês depois, na festa de aniversário de Gilda, Ritinha foi e levou o namorado. Quando Olavo conheceu o rival quase caiu para trás. O cara era feio, desengonçado e além disse falava alto e com a boca cheia. Os amigos de Olavo foram em cima dele na maior gozação:
- Perder para esse cara...não...você com essa pinta toda...perder a parada para esse bestalhão? Quem diria....
Olavo foi obrigado a aturar a gozação durante toda a noite. Se sentiu humilhado. O pior dos homens. Afinal, do que adiantava tanta beleza se a mulher que ele amava o havia rejeitado e ainda o trocara pelo bestalhão?
Quando a festa acabou e os convidados foram embora, Olavo foi para o banheiro, ficou se olhando no espelho durante horas. Depois, abriu o armário do banheiro, pegou uma navalha e retalhou a cara toda.
*Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Atualmente, é Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou, recentemente, Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.
* Por Celamar Maione
Ele realmente era bonito. Um moreno para mulher nenhuma botar defeito. Nem homem. Tinha olhos cor de mel, cabelos pretos e ondulados. A pele de um bronzeado invejável. Corpo esculpido em academia. No frescor de seus 25 anos, conquistava qualquer mulher. Os amigos já sabiam da fama de Olavo e adoravam sair com ele:
- Com o Olavo é bom sair para azarar. Se tiver duas mulheres, ele conquista uma e a sobra acaba ficando para a gente.
E assim iam correndo os dias. Olavo era um verdadeiro colecionador de namoradas. Cada mês estava com uma namoradinha nova. As mulheres não davam sossego ao rapaz.
Até que apareceu Ritinha na vida do conquistador. Ela era amiga de faculdade da irmã mais nova de Olavo. Uma menina sem graça. Tinha 18 anos, óculos fundo de garrafa com direito a aparelho nos dentes. Ainda por cima era branca como a necessidade. Mas sabe-se lá que tal, Olavo sentia uma atração diferente por Ritinha. Era na vida, a primeira vez que uma mulher mexia com ele.
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Passou a querer saber mais sobre a moça. Costumava crivar a irmã de perguntas:
- E aí Gilda, quando é que a Ritinha vem estudar aqui em casa novamente? Ela tem namorado? Tem telefone? É filha única?
A irmã, conhecedora da fama de Olavo, estranhava tantas perguntas:
-Eu hein Olavo... o que você quer com a minha amiga? Ela não tem nada que chame a atenção e eu sei que você só gosta de mulher bonita. Deixa a minha amiga em paz. Não quero que você faça a Ritinha sofrer.
Até que Olavo tentava. Mas estava difícil. Quando a moça ia estudar na casa dele, Olavo sempre arrumava um jeito de ficar por perto, só para admirar Ritinha. Ele sentia que pela primeira vez estava se apaixonando de verdade.
Resolveu abrir seu coração com o melhor amigo:
- Alfredo....estou apaixonado. É a primeira vez que isso acontece na minha vida.
- Não diga. E quem é a felizarda dessa vez? A Sílvia?
- Que Silvia o quê... é uma amiga de faculdade da minha irmã.
- Deve ser o maior avião.
- Que avião nada. É moça simples. Sem nenhum atrativo.
- Essa eu não entendi...
Quando Olavo soube que Ritinha ia estudar com a irmã, convidou o amigo para conhecer sua paixão. Quando Alfredo viu a moça, chamou o amigo para o quarto:
- Olavo...você está cego? Essa moça não tem nada que chame a atenção.
- E daí? Dizem que paixão não tem explicação e eu estou apaixonado. O pior é que já falei com a minha irmã e ela não acredita.
O amigo deu um sorriso irônico:
- Nem eu.
Mas a verdade nua e crua era que Ritinha não saia da cabeça do jovem. Ele deixou até de sair com outras garotas. É que quando beijava outra, pensava em Ritinha. A jovem passou a virar verdadeira obsessão na vida de Olavo. Era noite e dia com Ritinha na cabeça.
Resolveu enfrentar a irmã e disse que chamaria a jovem para sair. A irmã sorriu:
- Essa aí ? Nem adianta...
- E posso saber o motivo? Ela é não gosta de homem? Fez voto de castidade? É casada?
- Ela gosta de homem e muito até . Mas já me disse que só gosta de homem feio. Ela me falou que homem bonito dá muito trabalho.
Olavo achou que isso não seria problema. Pegou o telefone da jovem com a irmã e ligou para ela. Convidou Ritinha para sair. A jovem não aceitou. Ele pensou que ela estivesse se fazendo de gostosa. Mas Ritinha era mesmo osso duro de roer. Tentou durante três meses sair com a jovem. E nada. Pediu que a irmã interferisse. Nada. Até que um dia , quando a moça estudava com Gilda, Olavo resolveu mais uma vez investir:
- Vamos sair Ritinha....eu estou apaixonado. É verdade. Juro.
- Mas eu não estou apaixonada por você. Gosto de outro homem. Já disse: homem bonito não tem a menor chance comigo.
Um mês depois, na festa de aniversário de Gilda, Ritinha foi e levou o namorado. Quando Olavo conheceu o rival quase caiu para trás. O cara era feio, desengonçado e além disse falava alto e com a boca cheia. Os amigos de Olavo foram em cima dele na maior gozação:
- Perder para esse cara...não...você com essa pinta toda...perder a parada para esse bestalhão? Quem diria....
Olavo foi obrigado a aturar a gozação durante toda a noite. Se sentiu humilhado. O pior dos homens. Afinal, do que adiantava tanta beleza se a mulher que ele amava o havia rejeitado e ainda o trocara pelo bestalhão?
Quando a festa acabou e os convidados foram embora, Olavo foi para o banheiro, ficou se olhando no espelho durante horas. Depois, abriu o armário do banheiro, pegou uma navalha e retalhou a cara toda.
*Radialista e jornalista, trabalhou como produtora, repórter e redatora nas Rádios Fm O DIA, Tropical e Rádio Globo. Atualmente, é Produtora-Executiva da Rádio Tupi. Lecionou, recentemente, Telemarketing, atendimento ao público e comportamento do Operador , mas sua paixão é escrever, notadamente poesias e contos.
Credo, Celamar, o cara era mais louco do que a gente poderia imaginar. E ainda por cima foi se auto-mutilar sem aviso prévio. Foi demais! Não deve ter sobrevivido.
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