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O coveiro
* Por Fernando Mariz Masagão
O coveiro anda pelo cemitério nu de prantos e viuvezas.
São sete e vinte da noite de um horário de verão,
lusco-fusco, portanto.
A indefinição do ocaso confrange-lhe o peito
e traz seus olhos pra dentro do fim do dia,
ou início da noite – como preferirem.
A morte de um filho abateu seu ceticismo
colhido na mecanicidade do ofício.
Entendeu a solidão de que padecem os mortos
e sofreu, por fim, todos que enterrara.
Depois entendeu também a solidão de que padecem os vivos –
aí, solidarizou-se.
Por isso, às noites passeia tentando comunhão.
E anseia por um único espectro que lhe mostre
sentido para a dor do medo.
Mas até hoje nada viu.
*Músico, dramaturgo, poeta e colaborador de publicações online sobre arte, com crônicas e críticas musicais. Guitarrista e vocalista de bandas de rock'n'roll, tem formação clássica vigorosa em cursos de regência sinfônica, apreciação musical e instrumentação.
* Por Fernando Mariz Masagão
O coveiro anda pelo cemitério nu de prantos e viuvezas.
São sete e vinte da noite de um horário de verão,
lusco-fusco, portanto.
A indefinição do ocaso confrange-lhe o peito
e traz seus olhos pra dentro do fim do dia,
ou início da noite – como preferirem.
A morte de um filho abateu seu ceticismo
colhido na mecanicidade do ofício.
Entendeu a solidão de que padecem os mortos
e sofreu, por fim, todos que enterrara.
Depois entendeu também a solidão de que padecem os vivos –
aí, solidarizou-se.
Por isso, às noites passeia tentando comunhão.
E anseia por um único espectro que lhe mostre
sentido para a dor do medo.
Mas até hoje nada viu.
*Músico, dramaturgo, poeta e colaborador de publicações online sobre arte, com crônicas e críticas musicais. Guitarrista e vocalista de bandas de rock'n'roll, tem formação clássica vigorosa em cursos de regência sinfônica, apreciação musical e instrumentação.
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