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A chave
* Por Evelyne Furtado
É preciso fechar aquele ciclo com a devida ternura para abrandar o pesar, mas a impaciência com a dor causa-lhe, além do desconforto, uma ansiedade que lhe tira o foco impedindo-a de fechar o que tem que ser fechado.
Na bolsa repleta ela busca a chave. A procura é angustiante. As mãos tocam e soltam itens dispersos refletindo a desorganização interior.
Uma mão na realidade e outra na ilusão, A percepção confusa dificulta o reconhecimento dos objetos.
Misturados estão seus pertences; misturados estão seus sentimentos. Confunde telefone celular com alegria, batons com tristezas, óculos com esperança, papeis de balas com desilusões.
Um bloco de anotações contém citações, letras, impressões de momentos e paginazinhas com enormes vazios.
Alguns desses vazios caem na sua saia. Com uma das mãos limpa o tecido e espalha um sentimento estranho no ar. Respira fundo para reconhecer o que sente.
De repente a lembrança de uma voz guia sua mão e ela encontra a paz. Eis a chave. Fecha a porta e com um longo suspiro sai.
* Por Evelyne Furtado
É preciso fechar aquele ciclo com a devida ternura para abrandar o pesar, mas a impaciência com a dor causa-lhe, além do desconforto, uma ansiedade que lhe tira o foco impedindo-a de fechar o que tem que ser fechado.
Na bolsa repleta ela busca a chave. A procura é angustiante. As mãos tocam e soltam itens dispersos refletindo a desorganização interior.
Uma mão na realidade e outra na ilusão, A percepção confusa dificulta o reconhecimento dos objetos.
Misturados estão seus pertences; misturados estão seus sentimentos. Confunde telefone celular com alegria, batons com tristezas, óculos com esperança, papeis de balas com desilusões.
Um bloco de anotações contém citações, letras, impressões de momentos e paginazinhas com enormes vazios.
Alguns desses vazios caem na sua saia. Com uma das mãos limpa o tecido e espalha um sentimento estranho no ar. Respira fundo para reconhecer o que sente.
De repente a lembrança de uma voz guia sua mão e ela encontra a paz. Eis a chave. Fecha a porta e com um longo suspiro sai.
• Poetisa e cronista de Natal/RN
Evelyne,
ResponderExcluirSensacional este texto. Dos melhores, dentre os sempre ótimos que você nos oferece neste espaço. O paralelo entre o desarranjo interior e a bagunça da bolsa é singular. A imagem dos vazios caindo na saia é um achado. Parabéns, amiga.
Gostaria muito de fechar ciclos com tamanha galhardia. Eu não consigo. É inútil, mas fico a lamentar quando atinjo uma meta. Agradeço a lição. Com treinamento, quem sabe eu chego lá?
ResponderExcluirQue bom que você gostou, Marcelo!
ResponderExcluirMara, assim como você, estou aprendendo.
Beijos e obrigada, amigos!