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Difícil talento - IX
Por Gustavo do Carmo
Houve uma alegria coletiva naquele clube. Sorrisos por todos os lados, mas cada um com um significado diferente. Expectativa da parte de Jamílson, que teve a esperança de descobrir mais um reforço para o time do qual é auxiliar técnico. Felicidade de Breno que estava realizando, sim, o sonho de ser jogador profissional, que tinha desde menino, ao contrário do que havia dito antes, mas as dificuldades da vida o levaram para ser motorista de ônibus. Alívio para Severino que vê finalmente o primo emplacar algum talento e não sujar o seu nome como funcionário do clube. E Agostino, claro, ia conseguir o que tanto queria desde que chegou ao Rio: revelar um talento.
Depois do teste tático, Breno foi convidado para participar do coletivo com o elenco profissional, atuando no time dos reservas. Agostino queria assistir mas precisou ir para o trabalho, deixando o clube, prometendo voltar no dia seguinte para confirmar se ele foi ou não aprovado e, talvez, ver o primeiro talento que conseguiu indicar assinar contrato e ganhar uma comissão. Severino também precisou voltar para a sua função de contínuo.
Depois do trabalho, Agostino ligou para Breno, perguntando se ele foi aprovado.
— E aí cara? Como foi no coletivo? Foi contratado?
— Passei no teste. Joguei no time profissional reserva. Ganhamos o coletivo, fiz três gols de cabeça. Mas ainda vou fazer os exames médicos para assinar o contrato.
— Então você já está contratado. Com certeza vai passar.
— Quem sabe? Mas estou um pouco pessimista. Eu tive um problema cardíaco quando criança. Não sei se vão me aprovar.
— Claro que vão. Você vai tirar isso de letra. Vamos sair para comemorar?
— Olha, não dá. Além de não querer comemorar antes da hora eu vou fazer plantão hoje na empresa.
— Tudo bem. A gente combina outro dia então.
— Ok. É até bom a gente discutir isso. A comissão que você quer, entre outras coisas. De qualquer forma quero te agradecer por tudo que está fazendo por mim.
— Não precisa agradecer. Eu estou aqui neste mundo para isso. Para descobrir talentos. Não tive muita sorte com algumas pessoas, mas você será o verdadeiro talento.
Depois de outras futilidades os dois se despediram do telefone. Não imaginavam que seria a última conversa entre os dois. Horas depois, Breno embarcava para o que acreditava ser mais uma viagem de trabalho de muitas.
* Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos” pela Editora Multifoco/Selo Redondezas - RJ. Seu blog, “Tudo cultural” - www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
Por Gustavo do Carmo
Houve uma alegria coletiva naquele clube. Sorrisos por todos os lados, mas cada um com um significado diferente. Expectativa da parte de Jamílson, que teve a esperança de descobrir mais um reforço para o time do qual é auxiliar técnico. Felicidade de Breno que estava realizando, sim, o sonho de ser jogador profissional, que tinha desde menino, ao contrário do que havia dito antes, mas as dificuldades da vida o levaram para ser motorista de ônibus. Alívio para Severino que vê finalmente o primo emplacar algum talento e não sujar o seu nome como funcionário do clube. E Agostino, claro, ia conseguir o que tanto queria desde que chegou ao Rio: revelar um talento.
Depois do teste tático, Breno foi convidado para participar do coletivo com o elenco profissional, atuando no time dos reservas. Agostino queria assistir mas precisou ir para o trabalho, deixando o clube, prometendo voltar no dia seguinte para confirmar se ele foi ou não aprovado e, talvez, ver o primeiro talento que conseguiu indicar assinar contrato e ganhar uma comissão. Severino também precisou voltar para a sua função de contínuo.
Depois do trabalho, Agostino ligou para Breno, perguntando se ele foi aprovado.
— E aí cara? Como foi no coletivo? Foi contratado?
— Passei no teste. Joguei no time profissional reserva. Ganhamos o coletivo, fiz três gols de cabeça. Mas ainda vou fazer os exames médicos para assinar o contrato.
— Então você já está contratado. Com certeza vai passar.
— Quem sabe? Mas estou um pouco pessimista. Eu tive um problema cardíaco quando criança. Não sei se vão me aprovar.
— Claro que vão. Você vai tirar isso de letra. Vamos sair para comemorar?
— Olha, não dá. Além de não querer comemorar antes da hora eu vou fazer plantão hoje na empresa.
— Tudo bem. A gente combina outro dia então.
— Ok. É até bom a gente discutir isso. A comissão que você quer, entre outras coisas. De qualquer forma quero te agradecer por tudo que está fazendo por mim.
— Não precisa agradecer. Eu estou aqui neste mundo para isso. Para descobrir talentos. Não tive muita sorte com algumas pessoas, mas você será o verdadeiro talento.
Depois de outras futilidades os dois se despediram do telefone. Não imaginavam que seria a última conversa entre os dois. Horas depois, Breno embarcava para o que acreditava ser mais uma viagem de trabalho de muitas.
* Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance “Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea “Indecisos - Entre outros contos” pela Editora Multifoco/Selo Redondezas - RJ. Seu blog, “Tudo cultural” - www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
E aí?
ResponderExcluirNão vai me dizer que o menino
vai ter um treco?
Que saga essa do Agostino...
Vou esperar né.
Beijos