terça-feira, 11 de agosto de 2009




Vestindo esperança

* Por Evelyne Furtado

A natureza revida, aviões desfazem-se no ar, bandidos e policiais trocam tiros, o apelo ao consumo chega de todos os lados, a competição é superestimulada e os interesses materiais atropelam a sensibilidade.

Acompanhamos tragédias em qualquer parte do mundo em tempo real e sofremos um pouquinho a cada notícia sem nos darmos conta da sensação de impotência que aumenta à medida que vamos de um fato noticiado a outro em velocidade estonteante.

Somos expectadores da vida real e quando nos colocarmos no lugar de quem sofre a dor é quase insuportável. Será que precisamos de nervos de aço para vivermos na modernidade? Meus sentimentos não cabem em armaduras, por isso andam por aqui seminus vestindo apenas esperança.

* Poetisa e cronista de Natal/RN

4 comentários:

  1. Acho que quanto mais o mundo nos nos impinge armaduras para nos protegermos contra ele mesmo, mais acalentamos um viver mais franciscano. E depois falam em evolução da humanidade...
    Assino embaixo,amiga. Meu beijo e minha admiração por mais este.

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  2. Belo texto que reflete um lado cruel da realidade, mas poeticamente escrito! Difícil conviver com o factual,causa uma sensação muito grande de impotência. Um beijo, parabéns!

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  3. Não nos satisfaz algo menor do que " O mundo em um minuto". Tudo nos é posto à mesa do jantar. Enquanto uma notícia ruim entala na nossa goela, outra já nos é colocada pela boca adentro. Tudo que nos chega, nos invade sem pedir licença. A armadura pode proteger, mas também engessa. Evelyne, o seu poema em prosa fala o que desejamos dizer e ainda não demos conta.
    Destaco: " Meus sentimentos não andam em armaduras."

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  4. Obrigada, por compartilharem comigo, queridos Marcelo, Sayonara e Mara. Beijos

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